- A doutora falou-nos destes 103 em formação aqui no hospital. Além destes existem outros fora do país?
MLA – Sim, tem no Brasil, tem em Portugal. Em Portugal estão a fazer estágios, apenas estágios de curta duração, bem dirigidos para áreas específicas. No Brasil tem uma pessoa em formação em anatomia patológica, tem um em oncologia médica, tem um que vai agora ainda não saiu mas vai para hematologia porque nós não temos aqui nenhum hematologista, temos que formar um hematologista. Tem enfermeiros também em algumas áreas de normalização, etc. Temos também uma pessoa em formação em Moçambique. Eu vou abrir mais essa porta porque Moçambique está a andar muito bem. Tem áreas em que vale a pena a gente virar-se para lá e ir lá aprender e é mais fácil em termos de vistos, permanência, a língua que é nossa.
- Portanto, tudo isto que estamos aqui a dizer, estas comissões de trabalho, tudo isto conduziu à certificação internacional. Mudou alguma coisa no hospital?
MLA – Mudou o rigor, por isso é que o lema é rigor. Há muito mais rigor, há pessoas que não gostam desse rigor.
- Este rigor será que veio também um bocadinho de ter estado nas Forças Armadas?…
MLA – Tem que haver rigor, nós estamos a trabalhar com vidas humanas, não pode ser de ânimo leve. A enfermagem avançou muito com esta certificação. E, sem dúvida nenhuma, os procedimentos de enfermagem, a organização da enfermagem, os registos de enfermagem. E eu quando cheguei cá pensei que seria o pior desafio. Tive logo uma greve em 2019. Foi logo assim de entrada, as pessoas não estavam habituadas a cumprir horários.
- Acha que a passagem pelas Forças Armadas ajudou-a também a gerir melhor?
MLA – Aprendi muito. Muita coisa que hoje faço veio de lá, aprendi muita coisa, em termos de organização, da disciplina, de raciocínio lógico, de prioridades. Até de liderança, aprendi lá muita coisa.

- Olhando para o nosso hospital central, além desta questão da certificação internacional, o hospital central foi também destacado como um factor de atracção turística, de confiança de investidores e turistas, como é que avalia hoje o impacto desta distinção?
MLA – Eu ainda não tenho bem a avaliação disso, apenas indirectamente. As pessoas, amigos e amigos de amigos dizem “ah, então vai para o Lubango, então não há problema, lá, se houver qualquer coisa, o hospital responde as coisas estão bem…” Mas ainda não tenho ou não sei qual o verdadeiro impacto disso, porque isso também vai depender do desenvolvimento do turismo aqui. Mas que sem dúvida nenhuma vai ser uma retaguarda muito boa para organizações de turismo. Na maior parte do mundo o turista é uma pessoa mais velha, trabalha-se, trabalha-se, depois, quando se tem algum dinheiro, vai-se fazer turismo. Então, esse turista, em todo o lado, gosta de ter a certeza absoluta que se lhe acontece alguma coisa, uma queda ou mesmo algum evento cardiovascular tem onde as primeiras medidas vão ser tomadas correctamente, como se faz em qualquer parte do mundo e tem também resposta sob o ponto de vista do seu seguro de saúde. E aí eu acho que isso é importante, que a gente possa dar essa retaguarda ao turismo. E é isso que nós agora estamos a tentar dinamizar aqui, dentro do hospital, que as pessoas pensem que quando alguém entra no hospital tem que ter segurança. Segurança dos actos que lhe vão ser feitos, do diagnóstico que vai ter, até das opiniões, se aqui não tivermos respostas temos que dizer “olhe, temos limitações. Você devia fazer agora isto, que nós neste momento não podemos fazer. Aconselhamos a ir para aqui, a ir para acolá” e a forma como deve ser transportado, porque isso também faz parte da segurança. Nós não somos deuses, nós sabemos perfeitamente que temos alguns limites, chegamos ali, temos limites. A partir daí, nós temos que saber encaminhar o doente de forma correcta, de acordo com aquilo que é o desenvolvimento da ciência e da arte para outros sítios onde respondam melhor, e ele que vá seguro. E leva todo o resumo médico, toda a informação que aqui se produziu, correctamente.




