Entre Luanda e Lisboa: a cultura como movimento de retorno

O que une estes três acontecimentos não é apenas a coincidência temporal. É a ideia de que Angola se pensa, se narra e se reinventa através da escuta.
• A rádio, no livro de Moorman, é o espaço onde o país se imagina.
• O som, na obra de Cerveira, é o lugar onde o país se escuta.
• O arquivo político de Mário Pinto de Andrade é o lugar onde o país se pensa.
Julho foi, assim, um mês de retorno: retorno da rádio à sua história, retorno do som ao seu lugar, retorno dos documentos ao seu contexto, retorno da cultura angolana ao centro das suas próprias narrativas.
Entre Luanda e Lisboa, entre a Cacimbo e a ZDB, entre a Casa Comum e a livraria Saudade, formou‑se uma constelação que não é apenas cultural: é epistemológica. Angola continua a produzir sentidos que exigem escuta. E a escuta, como nos lembra Moorman, é sempre política.




