O arquivo como gesto de futuro — Mário Pinto de Andrade — Os Papéis do Leste

O terceiro acontecimento que marcou o mês foi o lançamento, na Casa Comum, do livro “Mário Pinto de Andrade — Os Papéis do Leste: Entrevistas, textos, notas e outros documentos — Frente Leste 1971-1972”, organizado por Elisa Scaraggi e Nelson Pestana. A presença de Henda Ducados, filha do intelectual angolano, conferiu ao evento uma dimensão afectiva e histórica que ultrapassa o simples acto editorial.
Se Moorman trabalha a rádio como tecnologia de Estado, e Cerveira o som como arquivo sensorial, este livro devolve ao presente o arquivo político de um dos mais importantes pensadores angolanos do século XX. Os documentos da Frente Leste — entrevistas, notas, reflexões estratégicas — revelam um Mário Pinto de Andrade em plena actividade intelectual e política, num momento decisivo da luta de libertação.
O lançamento na Casa Comum não foi apenas uma apresentação: foi um gesto de restituição. Restituição de documentos, de memória, de genealogias políticas. A presença de Henda Ducados reforçou a ideia de que o arquivo não é apenas passado: é herança, é continuidade, é futuro.
Este livro acrescenta ao mês de Julho uma camada de densidade histórica que dialoga com Moorman e com Cerveira: todos eles, à sua maneira, trabalham a escuta — da rádio, do som, do arquivo.




