– Como é que os angolanos estão a receber o Vale do Bero?
PM – Eu penso que muito bem. Há muitas famílias que me dizem “lá minha casa só se bebe desse”. Ainda agora, não sei se conhece, o Gustavo da Conceição, que jogou basquete comigo, fez agora anos ele diz “em minha casa, é só Bero”. As pessoas de facto abraçaram porque tem qualidade. É aquele orgulho do angolano, e que eu acho muito bem, nos produtos locais, mas produtos locais que tenham qualidade. Isso satisfaz-me muito, como deve calcular.
– Há algum esforço suplementar da vossa parte, do ponto de vista do marketing, para introduzir o Vale do Bero no mercado?
PM – Como é como é que eu planeei isso… Eu só sou responsável até à porta de saída do produto, ou seja, eu subcontratei uma empresa no sentido de fazer a comercialização, que inclui o marketing. Claro que eu tenho uma estreita relação com eles. Nós reunimo-nos, nós falamos, eles próprios dizem “agora temos que fazer uma campanha de marketing”. Nas grandes superfícies, de vez em quando, aparece em destaque o Vale do Bero. Aquilo é pago, mas, de facto, tem efeitos, porque nós estamos com problemas como eu lhe disse, de produtividade, é o nosso calcanhar de Aquiles. Aliás, eu agora também já contratei um engenheiro, um engenheiro que é mais viticultor. Brasileiro. Porquê? Porque o Brasil tem experiência em cultura de uvas em clima tropical. O próprio Mário disse que é interessante. O Mário ficou muito bem surpreendido, agradavelmente surpreendido com ele. Ele esteve aqui a trabalhar durante alguns anos na Agrolíder. E agora vem aqui só como assessor da Agrolíder. E por isso é que eu pude contratá-lo também como meu assessor. Ele vem agora, também se vai encontrar com o Mário pela primeira vez e vão analisar o que é que é preciso fazer, etc., etc. Mas digamos que nós fomos por esse caminho porque o próprio viticultor, um português, que esteve aqui, que se foi embora por questões de saúde, dizia, “esqueçam-se de Portugal. Isto aqui é completamente diferente.” Eles próprios têm a noção de que na realidade as coisas aqui são diferentes. E esse engenheiro/viticultor tem muita experiência daqui e no Brasil porque ele agora está no Brasil com muito sucesso também a desenvolver as uvas dele e os vinhos dele. Pronto, é um homem com bastante sucesso e muito conhecedor em clima tropical, que é fundamental saber-se isso.
– A sua experiência é solitária, existem outros viticultores em Angola, existem outras pessoas interessadas…
PM – As informações que eu tenho é que houve pelo menos uma experiência que acho eu que em termos de qualidade não deu certo. Até porque me disseram também que o mosto era importado e que faziam cá o resto. É o que sei de ouvir dizer…
– Se tivesse dado certo estaria por aí…
PM – Não singrou. Depois, no ano passado ou há dois anos houve um outro caso ali no Lubango que também apareceu com grandes parangonas lá na feira do Lubango, do género “vamos fazer e acontecer” aquilo tinha o pavilhão mais luxuoso da feira etc. etecetera. Disseram-me também que era feito na fazenda região, mas o que eu sei é que aquilo também nunca mais avançou e quando nós fomos visitar a tal fazenda só tinha 2 hectares.
– Quantos hectares é que tem?

PM – Eu comecei com 20 hectares. Presentemente já estamos com 38 hectares. E acabei agora de alugar à minha vizinha que, na minha opinião até tem uma terra melhor que a minha, mais 20 hectares. Ou seja, presentemente tenho 40 com perspectivas de ir para os 60. Nestes 40 hectares ainda não tenho velocidade de cruzeiro em 20. Ou seja, os 20 são plantados recentemente e só atingem a velocidade de cruzeiro ao fim de 2/3 anos 4 anos.
– Qual é a produção anual, actual?
PM – Vamos falar em garrafas. Eu estou muito perto das cem mil. Este ano acho que vou usar as cem mil e há aqui um factor que é importante: estou a crescer. Desde 2022 até hoje, todos os anos tenho crescido. No ano passado também cresci, não cresci aquilo que eu gostava, mas de qualquer das maneiras cresci e este ano espero atingir as tais cem mil que é a primeira meta que eu tracei, com os 20 hectares. Agora quando os outros começarem também, posso duplicar. Cem mil garrafas não é assim nada de muito especial, mas é um começo. Nos meus empreendimentos nunca gostei de dar passos de gigante. Porque acho que na realidade as coisas têm de se fazer malembe malembe como dizemos aqui, calmamente, consolidar que é para não tropeçar cair e as coisas fecharem. Talvez até às vezes tenho cuidado demais.
– Cem mil garrafas, isto é para consumo interno.
PM – Mais do que isso eu não consigo responder de forma nenhuma. Sabe o que é que eu digo: quanto mais houvera mais vendera. Ou seja, na realidade estou muito longe do mercado interno. Nem estou a pensar em exportar, mas já fui, fui não, quem é assediado é a Multiáfrica, a Multiáfrica é que é a distribuidora. Já vieram da Namíbia pedir um contentor, já vieram da Rússia, como a Rússia agora está fechada em termos de comércio na Europa também da Rússia pediram um contentor para experimentar. Já vieram aqui do lado, do Congo Brazzaville, já vieram de São Tomé, ou seja, tenho pedidos, mas não tenho capacidade, não me vou meter enquanto não conseguir satisfazer o mercado local, é uma estupidez só para dizer que tenho vinho aqui e ali….









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