– Como qualificar o Vale do Bero em termos de qualidade: média, média alta…
PM – O enólogo diz que sim, ele fala mais para média alta …
– Falemos também das uvas de mesa…
PM – Já tive uvas de mesa, mas acontece que as espécies que estão aqui… o homem dos caranguejos, o Mário Carquejo, muito famoso lá no Namibe, tem também uma produção de uvas de mesa. Mas quelas que trouxeram são um flop. Por outro lado, se o vinho está a dar, eu já substituí quase tudo o que era uva de mesa, pelas uvas vinícolas.
– Qual é a sua preferência vinho tinto ou branco?

PM – Eu gosto de tinto. Embora o branco seja mais adequado aqui ao clima, deve ser bebido fresco, mas há outra coisa engraçada, a população aqui não tem habituação de beber vinho branco, são muito poucos aqueles que optam por vinho branco.
– Há quem ponha o tinto na geleira…
PM – O tinto, é o que diz no rótulo, deve ser bebido entre os 17 e os 18 graus, ora 17 e 18 para nós é geleira. Porque se tirar da geleira passado cinco minutos está fresco.
– Um prato angolano que combine perfeitamente com o Vale do Bero….
PM – As carnes, o peito alto…. Aliás, está no rótulo feito pelo enólogo.
– O livro ou autor favorito.

PM – Os autores vão variando de época, mas eu posso selecionar, estou muito voltado para os escritores de língua espanhola e posso aqui eventualmente citar um poker de livros que me marcaram e autores que me marcaram e que eu ainda hoje os releio que é o Vargas Llosa, o Garcia Marques, o Bolaño, o chileno e o quarto, o espanhol Montalbán.
– Uma palavra ou expressão que descreve Moçâmedes.
PM – Capital do vinho. Futura. Eu já lancei esse mote. É uma coisa engraçada. Por acaso esqueci-me de falar sobre isso. Eu tentei lançar um movimento de sensibilização para os agricultores ali para também se dedicarem ao vinho. Sabe qual foi o resultado? Zero. Sabe porquê? Porque eles cultivam o tomate que plantam hoje e daqui a três meses dá dinheiro, o vinho não. Eu percebo. Mas não consegui sensibilizar ninguém. Inclusive ofereci a tecnologia, eu disse “eu formo as pessoas”. E mais, disse-lhes “eu compro-vos as uvas para fazer vinho na adega…” E eu também tive cuidado de sublinhar, quando lancei esse mote de Moçamedes capital do vinho, vinho de qualidade. Nós não temos áreas extensas para ser de quantidade. Frisei isso. Para mim, Moçamedes poderia ser a capital do vinho.
– Música que nunca falta na sua playlist.
PM – Jazz, jazz, jazz e dentro do jazz aquilo que eu mais gosto é Miles Davis e como cantora é a Billie Holiday. São as minhas paixões.
– O maior desafio que já enfrentou como viticultor.
PM – A fraca produtividade. E que ainda enfrento. Melhoramos um bocadinho, mas ainda longe daquilo que podemos atingir.
– Um sonho ainda por realizar.
PM – Tornar Moçamedes capital do vinho. Ajudar a tornar Moçamedes a capital do vinho.
– Se tivesse de brindar agora brindaria a quê?
PM – Brindaria a um futuro de Angola próspero.
– O Namibe é uma região turística…
PM – Nós ainda não temos o enoturismo institucionalizado, mas temos já aí uma média de mais de 30 visitas. Inclusive até há caravanas que pedem para acampar lá. Temos espaço para acampar, temos água e temos luz, temos um PT, temos luz e água da rede. Eles vão lá com os carros e com aquelas tubagens com que depois se fazem as ligações. O Raid Cacimbo já passou duas vezes. Este ano quero começar a contabilizar as visitas. Porque também é uma aposta que é arranjar ali uns jangos e assim umas coisas engraçadas aonde vamos provar os nossos vinhos eventualmente depois a água ardente e o vinho branco e aonde vamos também apresentar uma coisa que diz muito bem com o vinho que são os queijos do Lubango. O Brechet faz aqueles queijos com bastante qualidade, ao fim ao cabo são produtos da terra, de qualidade, e vamos também eventualmente oferecer e vender mesmo ali aos turistas. Ele agora dedica-se a uma agricultura biológica de qualidade. Ele tem aqui em Luanda uma loja junto ao liceu feminino. Chama-se Chalet.









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