
Ruy Duarte de Carvalho — O som como antropologia
Nos filmes de Ruy Duarte de Carvalho, o som é inseparável da sua prática antropológica. Ruy Duarte filma comunidades, territórios, deslocações, modos de vida; Cerveira escuta aquilo que não se vê: o murmúrio das paisagens, o ritmo das actividades quotidianas, a cadência das vozes que não se impõem.
O som, aqui, é conhecimento.
É o que permite que o espectador compreenda a relação entre corpo e território, entre gesto e ambiente, entre palavra e silêncio.
Cerveira capta o mundo rural angolano com uma delicadeza rara: não como exotismo, mas como complexidade acústica. O som torna‑se método antropológico. A escuta é forma de saber.




