Ariel de Bigault — A música como cartografia social

A obra de Ariel de Bigault, frequentemente centrada na música e nas culturas afro‑atlânticas, ganha uma profundidade particular quando escutada através do trabalho de Gita Cerveira.

Nos filmes apresentados no ciclo, o som não é apenas registo musical: é geografia.
Cerveira capta a música como fenómeno social — não isolada, mas atravessada por conversas, ruídos de rua, respirações, hesitações. A música, assim, deixa de ser banda sonora e torna‑se paisagem. O espectador percebe que, em Angola, a música não é apenas expressão artística: é forma de sobrevivência, de memória, de política.
A escuta revela que Bigault filma o que Cerveira escuta.
E Cerveira escuta o que Angola vive.




