A presença de Gita Cerveira: o operador como autor
O ciclo deixa claro que Gita Cerveira não é apenas técnico: é autor.
A sua assinatura sonora atravessa filmes muito diferentes entre si, criando uma continuidade estética que permite pensar o cinema angolano como um campo onde o som é tão determinante quanto a imagem.

Três elementos caracterizam o seu trabalho:
- A atenção ao ambiente — Cerveira não limpa o som; preserva o mundo.
- A escuta das vozes — não apenas o que se diz, mas como se diz.
- A ética da presença — o operador de som como testemunha, não intruso.
A homenagem na ZDB devolveu-lhe o lugar que lhe pertence: o de alguém que, ao escutar Angola, ajudou a defini-la.
Silenciosa e discretamente, a sua viúva, Isabel Emerson, acompanhou esta homenagem-testemunho.




