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African Bank of Oman pretende atrair investimento para desenvolver turismo em Angola

Redacção Por Redacção
19 de Junho, 2026
em Economia, Turismo
African Bank of Oman pretende atrair investimento para desenvolver turismo em Angola

O presidente executivo do African Bank of Oman (ABO) reafirmou, nesta terça-feira, em Luanda haver “apetite” dos investidores pelo mercado angolano.

António Dinis Mendes falava aos jornalistas durante um pequeno-almoço com a imprensa em Luanda, em que sublinhou que o turismo é um dos sectores prioritários para o ABO, que iniciou oficialmente actividade a 31 de Março de 2026, em alinhamento com a estratégia do Governo.

O gestor apresentou números sobre a importância do sector, que já representa cerca de 10 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em alguns países africanos, ao contrário de Angola, onde não chega a 1 por cento, defendendo que o país pode beneficiar da experiência de Omã.

Comparou o sultanato com Angola, quer ao nível do PIB, quer da dependência do petróleo — actualmente inferior a 70 por cento em Omã —, referindo que o país tem vindo também a implementar programas de privatização e diversificação económica.

Na conversa foram também abordados temas como infra-estruturas e acessos, com Dinis Mendes a notar os custos de construção de estradas em África — entre um e cinco milhões de dólares por quilómetro —, desvalorizando este problema quando se trata do turismo de nicho, com maiores rendimentos e “mais resiliente”, um segmento que Angola deve privilegiar antes do turismo de massas.

Dinis Mendes adiantou que há diversas formas de financiar o turismo, incluindo a que o ABO se propõe a desenvolver, canalizando “capital paciente”, ou seja, com prazos de retorno alargados, proveniente de fundos de investimento do Médio Oriente, como o Kasada — fundo hoteleiro apoiado pela Qatar Investment Authority e pelo grupo Accor, dedicado à África Subsaariana —, o que pode também constituir uma nova fonte de divisas, desde que assegurada a reinversão das divisas geradas pelo sector.

“Angola ainda não teve nenhuma experiência de acesso à captação de financiamento do Médio.
Oriente, que por outro lado procura também internacionalizar as suas economias”, salientou.

O papel do ABO será o de intermediário, dando acesso aos fundos de investimento, mas o gestor notou que há falta de experiência empresarial e que o turismo precisa de planeamento.

“Sem planeamento, sem estrutura, não há negócio”, vincou.

No que diz respeito ao turismo de eventos e de negócios, considerou que Angola — sobretudo Luanda — tem registado um grande desenvolvimento, e que os operadores turísticos internacionais serão uma mais-valia.

“Não podemos achar sempre que o estrangeiro vem tirar dinheiro de Angola”, disse, realçando a grande componente de conteúdo local associada ao sector do turismo.

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