Cerca de 50,7% da população empregada tem como actividade principal a produção agrícola, pecuária, florestal e pescas, revelou o Presidenta da Republica esta quinta-feira, 15de Outubro, durante o seu discurso na abertura de mais um ano legislativo, por sinal o último da legislatura em curso.
Este percentual representa aproximadamente 6,4 milhões de pessoas. Os registos apontam ainda para a existência de 3 323 242 de explorações agrícolas familiares e de 5 858 explorações empresariais, encontrando-se em produção efectiva apenas 125 destas ultimas.
No período de 2022 a 2026, o sector agrário mobilizou financiamento significativo junto de parceiros internacionais para apoiar programas estratégicos de desenvolvimento agrícola, com foco no reforço da agricultura familiar, nas cadeias de valor, na irrigação, na investigação agrária e no fortalecimento institucional.
Nos últimos três anos agrícolas, registou-se um crescimento da produção total de raízes e tubérculos, de cereais, leguminosas e oleaginosas, de hortícolas, frutas e de café comercial.
Na pecuária, entre 2023 e 2025 foram produzidas 1 032 849 toneladas de carne, com um crescimento de 4,6%, destacando-se a carne caprina e a bovina. A produção de ovos atingiu 7 729 031 088 unidades e foram vacinados, em média, 1 milhão e 400 mil bovinos e 400 mil animais de estimação.
A produção de madeira em toro atingiu 483 267 metros cúbicos com crescimento de 44,9%, a madeira serrada alcançou 326 270 metros cúbicos e a apicultura registou 684 toneladas de mel e 33 toneladas de cera, com crescimentos de 49,5% e 100%, respectivamente.
Segundo o PR, registaram-se avanços relevantes na disponibilidade de sementes certificadas e fertilizantes, condições indispensáveis para elevar a produtividade agrícola, reduzir perdas e aumentar o rendimento das famílias camponesas.
A disponibilidade de semente certificada passou de 2 850 toneladas, em 2023, para 6 930 toneladas em 2025, o que corresponde a um aumento de cerca de 143,2%.
No mesmo sentido, a disponibilidade média de fertilizantes destinados à agricultura familiar evoluiu de 13 mil toneladas em 2022, para 173 604 toneladas em 2026, representando um crescimento superior a treze vezes.
“Estes resultados criam bases mais sólidas para uma agricultura produtiva, competitiva e orientada para a segurança alimentar e a autonomia económica das comunidades rurais” garantiu João Lourenço.
Estes investimentos traduzem a aposta do Executivo numa agricultura mais irrigada, mecanizada, produtiva e resistente aos efeitos das alterações climáticas.
No domínio da agricultura familiar, das cadeias de valor e dos serviços de apoio à produção, estão em curso projectos de elevado impacto económico e social, destinados a beneficiar centenas de milhares de produtores, reforçar a irrigação, melhorar a capacidade produtiva e consolidar uma agricultura mais inclusiva, competitiva e sustentável.
No domínio das pescas e da economia azul, o Executivo reafirma que o mar, as águas interiores e os recursos aquáticos constituem activos estratégicos para a diversificação económica, a segurança alimentar, a criação de emprego e a geração de rendimento para as comunidades costeiras e ribeirinhas.
Entre 2022 e 2025, a produção nacional de pescado aumentou de 558 mil para 725 mil toneladas, correspondendo a um crescimento de 30%. Este desempenho reflecte o reforço da capacidade produtiva, a melhoria das condições de organização do sector e a valorização sustentável dos recursos disponíveis.
Mais importante ainda, este progresso traduz-se em benefícios concretos para as famílias angolanas, com o consumo per capita de pescado a subir de 14,5 para 18 quilos por habitante por ano, aproximando-se da média mundial recomendada pela FAO.
Estes resultados demonstram que a valorização dos recursos pesqueiros contribui directamente para o reforço da segurança alimentar, para a substituição gradual das importações, para o fortalecimento das cadeias produtivas nacionais e para a criação de novas oportunidades de emprego e rendimento para milhares de cidadãos.





