O ANGOTIC (Fórum e Exposição Global de Tecnologias de Informação e Comunicação de Angola) nasceu em 2018 como o principal evento de tecnologia do país. Desde a sua primeira edição, o evento tem sido um catalisador para a transformação digital e modernização dos serviços em Angola. Evolução Histórica e Marcos das Edições:
- 2018 (Edição Inaugural): A primeira edição decorreu entre 19 e 21 de junho de 2018, no Centro de Convenções de Talatona, sob a égide “ICE-T ANGOTIC 2018”. O evento foi inaugurado pelo Presidente João Lourenço e destacou a importância das TICs para a governação electrónica, desburocratização e inclusão económica. Focou também na internacionalização do sector, estabelecendo bases para parcerias como a Smart Africa.
- 2019: A 2ª edição consolidou o evento no panorama africano, reunindo especialistas para debater ferramentas tecnológicas nas áreas da saúde, agricultura, pescas e educação.
- 2023 (Retorno Pós-Pandemia): Após um interrupção nas edições presenciais devido à COVID-19, o ANGOTIC regressou em 2023 para debater a conectividade, a modernização tecnológica institucional e a inovação no continente.
- 2024: Focada em acelerar a transformação digital e a consolidação das infraestruturas espaciais e de telecomunicações do país.
- 2025 (5ª Edição): Celebrando os 50 anos da Independência de Angola, o evento decorreu de 12 a 15 de Junho sob o lema “50 anos a comunicar, a modernizar e a desenvolver Angola”. A edição marcou importantes assinaturas de acordos e a inauguração do Centro de Geodados.
- 2026: Focado fortemente nas tendências globais do sector, como Inteligência Artificial, Cibersegurança e Governo Digital, continuando a sua missão de promover o empreendedorismo digital.
1. Principais Temas e Painéis Abordados nas Edições
Os debates do fórum dividem-se em painéis estratégicos que visam a modernização das infraestruturas e a inclusão digital:
- Governação Eletrónica e Serviços de Proximidade: Painéis recorrentes focados na desburocratização do Estado. O foco é a digitalização dos serviços públicos para aproximar o cidadão da administração pública.
- Superando a Última Milha (“Connecting the Unconnected”): Discussões lideradas por reguladores como o INACOM e grandes operadoras nacionais como a Unitel, Angola Telecom e MSTelcom. Abordam soluções práticas para levar internet de banda larga às zonas mais remotas do país.
- Inteligência Artificial (IA) e Tecnologias Emergentes: Introdução de discussões sobre Machine Learning, automação e uso de IA voltados para a cibersegurança e combate às fake news.
- Infraestrutura Crítica e Data Centers: Painéis técnicos que avaliam o desenvolvimento de redes de fibra ótica, cabos submarinos e a expansão de centros de processamento de dados.
2. O Programa Espacial Nacional e o ANGOSAT no Fórum
O sector aeroespacial angolano — liderado pelo Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN) — transformou-se no principal motor da “Transformação Digital” apresentada no evento.
A Consolidação do ANGOSAT-2
Nas primeiras edições, o foco centrava-se na construção e nas expectativas do programa espacial. Contudo, após o lançamento bem-sucedido em 2022, o ANGOSAT-2 assumiu protagonismo prático:
- Comercialização de Capacidades: Entidades como a INFRASAT aproveitam o fórum para fechar acordos de venda de frequências (Bandas C e Ku) para operadoras nacionais e internacionais.
- Projecto Conecta Angola: Apresentado no evento como a maior prova de impacto social do satélite. O projecto utiliza antenas ligadas diretamente ao ANGOSAT-2 para fornecer internet gratuita de alta velocidade (10 Mbps) a comunidades isoladas, postos fronteiriços (como o do Luvo) e escolas.
Lançamento de Aplicações e Novas Fronteiras Espaciais
O GGPEN utiliza o ANGOTIC para apresentar soluções comerciais que vão muito além das telecomunicações:
- Soluções de Observação da Terra: Demonstração de ferramentas práticas como o TECH-Agro (agricultura de precisão), TECH-Gest (planeamento urbano) e TECH-Ecologia (monitorização ambiental e sector do Petróleo & Gás).
- O Próximo Satélite (ANGEO-1): O fórum serve de palco para apresentar o progresso do futuro satélite de observação da Terra de alta resolução.
- Formação e Certificação: Ocorre no evento a chancela de iniciativas cruciais, como o Programa Nacional de Certificação de Gestores e Utilizadores de Tecnologias Espaciais, que entrega os seus certificados durante o fórum para capacitar técnicos de todas as províncias.
- Posicionamento Internacional: O fórum serve para celebrar marcos, como a inclusão do Programa Espacial Angolano entre os cinco maiores de África segundo relatórios internacionais, atraindo parcerias com agências espaciais globais e com a UNOOSA (Gabinete da ONU para Assuntos do Espaço Exterior).




