A província da Huíla dispõe de um efectivo ganadeiro de dois milhões 196 mil e 412 cabeças, mas só 2,4% está nas mãos de criadores empresariais, os pastores tradicionais comandam a estatística.
Os dados constam dos relatórios das explorações Agro-Pecuárias e Aquílcolas Empresariais e das Familiares, no quadro do Recenseamento Agro-Pecuário e Pescas (RAPP) 2019-2020, realizado em 2021 pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), cujos resultados foram apresentados à nesta segunda-feira.
O chefe do departamento do Serviço Provincial do Instituto Nacional da Estatística (INE) da Huíla, Sobral Katrapila, afirmou que em termos de efectivos pecuários nas explorações empresariais foram contabilizados 33 mil 385 bovinos, oito mil 938 caprinos, mil e 671 ovinos e 828 suínos.
Disse existir ainda em posse das referidas fazendas 749 galinhas, 30 mil 450 frangos de corte, 39 mil e 700 aves poedeiras, 312 patos e 47 perus.
Já em posse de pastores autóctones, a fonte declarou que o Censo contabilizou um milhão, 169 mil e 333 bovinos (o maior do país), 660 mil 811 caprinos, 24 mil e 793 ovinos e 298 mil 653 suínos (o maior em relação de outras províncias de Angola).
Detalhou que os agregados familiares que criam suínos e caprinos tendem a optar pelas fêmeas, pelo facto de o objectivo da criação ser a de reprodução de espécies, o que constitui uma fonte de receitas e de alimentação das famílias produtoras, motivando assim, a prática de criação pecuária.
Relativamente ao efectivo galináceo em posse das explorações familiares, de acordo com o chefe do departamento, constam na Huíla um milhão, 288 mil e 897 bicos, sendo a província com o maior número, num universo de mais de oito milhões existentes no país.
Sobral Katrapila afirmou que constou-se que o sistema de produção pecuária predominante é o extensivo, que é praticado por cerca de 55,8% das explorações agro-pecuárias, piscatórias e aquícolas familiares que criam bovinos e sistema semi-intensivo com 44,2% e 12,4 % com a prática da transumância.
Frisou que foram identificadas 276 mil 496 explorações familiares a praticar a actividade pecuária, um RAPP que incluiu quatro módulos, nomeadamente a listagem, o questionário comunitário, o questionário das explorações empresariais e o questionário das explorações familiares.
Na Huíla fez saber que o processo contou com 150 técnicos, entre supervisores provinciais, supervisores de equipas, informáticos, cartógrafos, inquiridores, motoristas, mobilizadores e com assistência, obviamente, administrativa de uma comissão provincial de apoio ao RAPP, coordenada pelo director provincial da Agricultura, Pecuária e Pescas, a nível dos municípios, com os gabinetes municipais.
O RAPP é um recenseamento agro-pecuário e pescas, com a finalidade de disponibilizar ao Governo, ao sector privado, às instituições académicas, à sociedade civil, parceiros e a todos os intervenientes dos sectores envolvidos, dados fiáveis, suficientemente desagregados sobre o sector agrário e pescas.
Visa ainda responder às necessidades de planeamento, monitorização e avaliação de iniciativas que visam o desenvolvimento dos sectores agro-silvo-pastoril e das Pescas a nível do país.
O Recenseamento 2019-2020 foi o primeiro realizado a seguir à Independência e cobriu as explorações familiares agro-pecuárias e a área de pesca de pequena escala no meio rural e urbano nas 18 províncias e 161 municípios administrativos do país (antiga divisão política administrativa).
Sobral Katrapila sublinhou que esses resultados são uma demonstração da vontade da disponibilização da informação de forma mais simples possível, na esperança de que isso ajude os potenciais usuários a apreciar não só os dados que são apresentados, mas também a qualidade dos mesmos.




