Num momento em que o contexto internacional envolve situações que põem em causa os métodos tradicionais de agricultura, cientistas exploram novos caminhos no sector. Um projecto envolvendo pesquisadores da Itália, Angola e Brasil promete ampliar resultados de pesquisas em agricultura espacial. A iniciativa investiga o comportamento de culturas como batata-doce, cará (dioscorea bulbífera – nome científico) e grão-de-bico, em condições simuladas de microgravidade, com foco no desenvolvimento de soluções inovadoras para a agricultura terrestre diante das mudanças climáticas.
André Mussamo
Este resultado preliminar está publicado em https://www.esalq.usp.br/2026/07/30/esalq-realiza-pesquisas-de-agricultura-espacial-com-testes-em-microgravidade/ o sítio na internet da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP) Brasil.
As actividades integram o projecto de cooperação triangular “Agricultura Espacial como Motor Estratégico de Inovação para Gerar Soluções Aplicáveis à Agricultura Terrestre Diante das Mudanças Climáticas”, com acções desenvolvidas no Laboratório de Microgravidade Vegetal da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).
O projecto conta com financiamento do Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da Itália (MAECI). É promovido pela Organização Ítalo-Latino-Americana Internacional (IILA) e envolve dos investigadores Paulo Hercílio Viegas Rodrigues, docente do departamento de Produção Vegetal da Esalq e Adérito Tomás Pais da Cunha, pesquisador do Instituto Superior Politécnico da Cuanza Sul, em Angola.
“A iniciativa investiga o comportamento de culturas como batata-doce, cará e grão-de-bico em condições simuladas de microgravidade, com foco no desenvolvimento de soluções inovadoras para a agricultura terrestre diante das mudanças climáticas”, conta o professor Paulo Hercilio Viegas Rodrigues, do departamento de Produção Vegetal da Esalq.
Nesta etapa, os pesquisadores deram início à segunda repetição do experimento de germinação de sementes de grão-de-bico em microgravidade simulada por clinorrotação, além da preparação dos meios de cultivo para testes com batata-doce e cará.
Na próxima etapa, está prevista a inoculação dos materiais vegetais e a instalação do experimento num sistema que permitirá avaliar o desenvolvimento das plantas sob diferentes espectros de luz LED em condições controladas.
Segundo os pesquisadores, o estudo representa o primeiro passo de uma agenda científica que utiliza o ambiente espacial como laboratório para gerar conhecimento aplicável à Terra.
A comparação entre plantas cultivadas em microgravidade simulada e em condições normais permitirá compreender os efeitos dessa variável nos estágios iniciais de desenvolvimento vegetal, abrindo caminho para novas técnicas agrícolas.
O projecto também conta com a participação do Instituto Superior Politécnico do Cuanza Sul, (Angola) e integra um esforço internacional voltado à segurança alimentar, adaptação às mudanças climáticas e promoção do desenvolvimento sustentável. “Por meio do modelo de cooperação triangular, a iniciativa fortalece a troca de conhecimentos entre Europa, América Latina e África, incentivando a formação de novas capacidades científicas e tecnológicas”, complementa o professor da Esalq.




