O presidente executivo do African Bank of Oman (ABO) reafirmou, nesta terça-feira, em Luanda haver “apetite” dos investidores pelo mercado angolano.
António Dinis Mendes falava aos jornalistas durante um pequeno-almoço com a imprensa em Luanda, em que sublinhou que o turismo é um dos sectores prioritários para o ABO, que iniciou oficialmente actividade a 31 de Março de 2026, em alinhamento com a estratégia do Governo.
O gestor apresentou números sobre a importância do sector, que já representa cerca de 10 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em alguns países africanos, ao contrário de Angola, onde não chega a 1 por cento, defendendo que o país pode beneficiar da experiência de Omã.
Comparou o sultanato com Angola, quer ao nível do PIB, quer da dependência do petróleo — actualmente inferior a 70 por cento em Omã —, referindo que o país tem vindo também a implementar programas de privatização e diversificação económica.
Na conversa foram também abordados temas como infra-estruturas e acessos, com Dinis Mendes a notar os custos de construção de estradas em África — entre um e cinco milhões de dólares por quilómetro —, desvalorizando este problema quando se trata do turismo de nicho, com maiores rendimentos e “mais resiliente”, um segmento que Angola deve privilegiar antes do turismo de massas.
Dinis Mendes adiantou que há diversas formas de financiar o turismo, incluindo a que o ABO se propõe a desenvolver, canalizando “capital paciente”, ou seja, com prazos de retorno alargados, proveniente de fundos de investimento do Médio Oriente, como o Kasada — fundo hoteleiro apoiado pela Qatar Investment Authority e pelo grupo Accor, dedicado à África Subsaariana —, o que pode também constituir uma nova fonte de divisas, desde que assegurada a reinversão das divisas geradas pelo sector.
“Angola ainda não teve nenhuma experiência de acesso à captação de financiamento do Médio.
Oriente, que por outro lado procura também internacionalizar as suas economias”, salientou.
O papel do ABO será o de intermediário, dando acesso aos fundos de investimento, mas o gestor notou que há falta de experiência empresarial e que o turismo precisa de planeamento.
“Sem planeamento, sem estrutura, não há negócio”, vincou.
No que diz respeito ao turismo de eventos e de negócios, considerou que Angola — sobretudo Luanda — tem registado um grande desenvolvimento, e que os operadores turísticos internacionais serão uma mais-valia.
“Não podemos achar sempre que o estrangeiro vem tirar dinheiro de Angola”, disse, realçando a grande componente de conteúdo local associada ao sector do turismo.




