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Rabugento, o gelado ‘baptizado’ pelos consumidores

Andre Mussamo Por Andre Mussamo
11 de Junho, 2025 - Atualizado Em 27 de Novembro, 2025
em Economia, Negócios

AM – No princípio, houve uma certa aversão ao nome, com constantes perguntas da razão da atribuição e dávamos uma explicaçãozita enviesada, não contar a origem do nome inspirado na interpretação do comportamento dos clientes, mas acabou ficando.

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AZ – Deixa-me acrescentar: ‘os rabugentos originais foram mesmo os clientes do gelado Rabugento’…(risos)

Deixe-me explicar um episódio num dos nossos pontos de venda no Talatona, onde uma rapariga perguntava a uma empregada: Rabugento por quê, vosso patrão é mau, né? Enfim… coisas assim…

E continuando na senda dos “segredos”. Há mais algum? Por exemplo, uma receita especial? Não se gosta de um gelado só por ser simplesmente um gelado?

AZ – O nosso gelado é totalmente preparado por nós, em termos de receita: as misturas, as quantidades de ingredientes, etc. têm a nossa mão e não produtos acabados fornecidos por outros. Muitas das vezes, nossas receitas sofrem alterações em função de novas matérias-primas que nós encontramos no mercado. Por exemplo, o leite com pouco ou mais qualidade que nos obriga a alterações para ir de encontro ao gosto do cliente.

A particularidade em comparação com outras geladarias é que elas usam produtos pré-feitos que, quando encontram alguma dificuldade, não conseguem alterar, enquanto para o Rabugento, o processo é quase como de uma escola, onde não basta ter uma máquina de gelado onde se coloca o produto e no final tirar gelado com qualidade. Podes colocar um produto, exactamente igual em duas máquinas diferentes, o produto não vai sair igual, porque existem alguns segredos em termos de afinações de máquinas e outros acertos para depois ir buscar a qualidade desejada. Por exemplo, nós trabalhamos com a marca Carpigiani, mas cada máquina é uma máquina, temos máquinas mais antigas e temos as modernas. Só nesta pequena diferença, para chegar ao Rabugento final, temos de fazer algumas afinações particulares para chegar ao ideal. É isso que muita gente não domina.

No fundo, o segredo está no detalhe…

Portanto, não se trata de segredos nos ingredientes?

AZ – Não. Temos receitas e somos abertos. Há pessoas que visitam a nossa fábrica, vão lá ver o processo de confecção do nosso produto, já perdemos empregados a favor da concorrência, mas podemos fazer a mesma receita, com os mesmos ingredientes e, no final da cadeia, não temos o mesmo resultado. Aqui é quase uma escola, desde a própria máquina que já requer formação; porque as máquinas de gelado requerem conhecimento detalhado, fazendo com que o operador conheça a máquina peça a peça e sua respectiva função para chegar ao produto ideal na perspectiva do consumidor. É um processo muito longo. Muitos no mercado deduzem que basta ir comprar uma máquina, colocar o produto e temos gelado. Ignoram o factor homem.

A preparar o gelado

AZ –O gelado, antes de chegar ao cliente final, não é só a máquina que tira o gelado. Nós temos o local onde fazemos a produção, onde o gelado, antes de chegar ao cliente, vocês não fazem ideia do trabalho que dá! Não se trata daquele líquido final apenas. O gelado é pasteurizado (portanto, se ocorrer uma diarreia, não é do gelado Rabugento), é maturado no mínimo por 24 horas e só depois, então, vem para as máquinas finais para tirar o gelado, mas até à fase final há toda uma preparação desta calda. Portanto, não é só bater o gelado…

Voltando às máquinas, em Luanda temos bastantes máquinas de gelado que rondam entre 2 mil a 3 mil dólares, a última que compramos custa 50 mil euros cada. Para quem não sabe do negócio, olha para aquilo e será capaz de dizer: Não, para isso compro um V8; mas, para nós, é o que ela pode fazer ao gelado.

Ainda em Janeiro último, estivemos na maior feira mundial de gelado numa cidade italiana. Nós vamos lá todos os anos e neste momento já somos representantes em África da maior marca mundial de máquinas de gelado (quem quiser uma terá de nos contactar) tudo porque já trabalhamos há alguns anos com eles na área de formações, etc. e, portanto, as coisas não acontecem por acaso… 

Eles nos deram a representação porque somos o maior comprador de África, antes era a Nigéria, mas ultrapassamos a Nigéria o ano passado com a última compra que fizemos.

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Estamos a falar de quantas máquinas?

Neste momento temos mais de 60 máquinas, se não estou em erro. Estamos a mandar vir mais 20. De momento temos 22 postos em Luanda e em cada um temos, pelo menos, duas máquinas de gelado. Agora temos um posto em Benguela – a primeira província em que nós nos estabelecemos.

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