{"id":6509,"date":"2026-05-06T12:12:43","date_gmt":"2026-05-06T11:12:43","guid":{"rendered":"https:\/\/negociosemexame.ao\/?p=6509"},"modified":"2026-05-06T12:12:43","modified_gmt":"2026-05-06T11:12:43","slug":"paulo-murias-e-o-vale-do-bero-a-conquista-do-titulo-mocamedes-capital-do-vinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/negociosemexame.ao\/index.php\/2026\/05\/06\/paulo-murias-e-o-vale-do-bero-a-conquista-do-titulo-mocamedes-capital-do-vinho\/","title":{"rendered":"Paulo M\u00farias e o Vale do Bero: \u00c0 conquista do t\u00edtulo \u201cMo\u00e7\u00e2medes, capital do vinho\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O vinho \u00e9 mais do que uma bebida: \u00e9 mem\u00f3ria l\u00edquida, \u00e9 terra transformada em sabor. O vinho tinto Vale do Bero nasce no cora\u00e7\u00e3o do Namibe para provar que Angola pode brindar com orgulho ao que \u00e9 seu. Para o Dr. Paulo M\u00farias, cada garrafa \u00e9 um convite \u2014 n\u00e3o s\u00f3 para degustar um tinto de qualidade, mas tamb\u00e9m para celebrar a coragem de sonhar e plantar ra\u00edzes onde poucos ousaram. O futuro da viticultura angolana come\u00e7a aqui, na Fazenda M.M\u00farias, nas margens do Rio Bero, e cada gole \u00e9 um passo nessa hist\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conversa sobre saberes e um sabor conquistado<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Filipe Correia de S\u00e1<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O tema desta entrevista n\u00e3o \u00e9 novidade. \u00c9 apenas mais um dos muito olhares que t\u00eam sido atra\u00eddos por um empreendimento que acrescenta algo ao prest\u00edgio de Angola, tanto no plano interno, como no externo. No plano interno porque os residentes, angolanos ou n\u00e3o, deparam-se com um produto produzido localmente que tem o selo de qualidade, que os consumidores, em geral, procuram. No plano externo porque, da mesma maneira, a marca Angola v\u00ea mais um ponto acrescentado \u00e0 sua reputa\u00e7\u00e3o. Falamos do vinho Vale do Bero, produzido na Fazenda M.M\u00farias, na prov\u00edncia do Nam\u00edbia, nas margens do rio Bero, mas, mais do que isso, fal\u00e1mos do e com o seu mentor e propriet\u00e1rio, Paulo M\u00farias.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"666\" height=\"459\" src=\"https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/PauloMurias.jpeg6_.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-6572\" style=\"width:372px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/PauloMurias.jpeg6_.webp 666w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/PauloMurias.jpeg6_-300x207.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 666px) 100vw, 666px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>M\u00e9dico, com curso tirado na ent\u00e3o Faculdade de Medicina de Luanda, empres\u00e1rio, antigo desportista, que se destacou quando o desporto universit\u00e1rio imperava, que representou depois Angola nos est\u00e1dios do basquetebol federado, internacional &#8211; tendo sido inclusive o primeiro capit\u00e3o da primeira selec\u00e7\u00e3o de Angola &#8211; &nbsp;\u00e9 uma personalidade que se reinventa, com passagem por sectores de ineg\u00e1vel proemin\u00eancia: o ensino superior &#8211; foi um dos fundadores da Universidade Lus\u00edada; a medicina, com destaque para a Medicina Desportiva, da qual tem a especialidade e que o levou a criar o Centro de Medicina Desportiva, que ainda existe; foi um fundadores da primeira cl\u00ednica privada, e, numa \u00e9poca em que a \u00c1frica Austral ainda se debatia com os efeitos dos conflitos regionais e internos, mas come\u00e7ava a ganhar o f\u00f4lego nos novos pa\u00edses independentes, participou numa primeira grande iniciativa de evacua\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia m\u00e9dica, com liga\u00e7\u00f5es \u00e0 \u00c1frica do Sul e,&nbsp; sem recorrer ao adv\u00e9rbio finalmente, porque do futuro depois se saber\u00e1, empres\u00e1rio viticultor, agora. Assim, resumimos a entrevista que Paulo M\u00farias nos concedeu num hotel de Luanda e da qual emana a sua liga\u00e7\u00e3o a esta terra, onde n\u00e3o nasceu, mas que faz sua desde a mais tenra idade.<\/p>\n\n\n\n<p>E nesta jornada vin\u00edcola em terras do sul de Angola tamb\u00e9m n\u00e3o falta mais um tra\u00e7o cultural marcante: as senhoras que pisam as uvas no lagar antes de irem para a prensa, e entoam os seus c\u00e2nticos de cariz religioso com a marca inconfund\u00edvel das vozes harm\u00f3nicas do Huambo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Um vinho que o inspira al\u00e9m do Vale do Bero.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Tenho de revelar uma coisa. Eu era um n\u00e3o alco\u00f3lico a 100 por cento. Acontece que a partir da altura em que comecei a apostar no vinho, naturalmente comecei a beber e comecei fundamentalmente a colher a experi\u00eancia por parte dos en\u00f3logos e dos viticultores. Por isso, confesso que n\u00e3o tenho uma resposta concreta a essa pergunta. Quando ia \u00e0 \u00c1frica do Sul, ocasionalmente, bebia o Cabernet Sauvignon, que \u00e9 o mais universal, mas era muito caro. Por enquanto ainda n\u00e3o tenho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Qual \u00e9 a sua primeira mem\u00f3ria ligada ao vinho?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; A minha primeira mem\u00f3ria ligada ao vinho foi quando o projecto l\u00e1 em baixo das oliveiras, que eu depois irei referenciar no historial, n\u00e3o se consumou porque as oliveiras at\u00e9 agora n\u00e3o deram rigorosamente nada e n\u00f3s come\u00e7amos a pensar na segunda cultura que se fazia antigamente no tempo colonial, que eram as videiras. Acho que posso situar a\u00ed a minha primeira mem\u00f3ria. Estamos a falar de 2014, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Quando \u00e9 que o m\u00e9dico e o empres\u00e1rio se encontram ou \u00e9 o m\u00e9dico que encontra o viticultor, e depois o empres\u00e1rio&#8230;?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Eu descobri alguma veia empresarial naquela fase de transi\u00e7\u00e3o do mono para o multipartidarismo, por isso estamos a falar 90\/91\/92, quando houve uma abertura. Na altura, eu fui tamb\u00e9m o l\u00edder do projecto da primeira cl\u00ednica privada, a cl\u00ednica da Mutamba. As coisas correram bem at\u00e9 uma certa altura, depois eu sa\u00ed. Digamos que cada um seguiu o seu rumo porque \u00e9ramos 17 m\u00e9dicos na primeira cl\u00ednica privada, \u00e9 uma coisa curiosa. Cada um, depois, n\u00e3o todos, mas alguns, escolheu a sua via privada e da\u00ed saltei para um sistema de evacua\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia, que se chama MRI, Medical Rescue Interaction, projecto ligado \u00e0 \u00c1frica do Sul e tamb\u00e9m fui um pioneiro nessa \u00e1rea, digamos assim, at\u00e9 que me apareceu, em fins de 90 princ\u00edpios de 2000, a universidade. Eu detenho 50 por cento da quota da Universidade Lus\u00edada, que tamb\u00e9m foi um projecto por mim liderado e ao qual me dediquei. Afinal, foi um cruzamento que podemos situar no per\u00edodo de 90\/91\/92 em que descobri que tinha alguma apet\u00eancia para iniciar neg\u00f3cios. N\u00e3o s\u00e3o bem neg\u00f3cios, s\u00e3o iniciativas de coisas que na altura praticamente n\u00e3o existiam. Mas, antes disso, comecei a minha actividade em Medicina Desportiva, a convite do Ruy Mingas, quando ele foi nomeado secret\u00e1rio de Estado dos Desportos, em 1979. Eu ainda jogava e durante o ano fui jogador e m\u00e9dico ao mesmo tempo. Depois fundei o Centro de Medicina Desportiva, que ainda hoje existe. Trabalhei l\u00e1 at\u00e9&#8230; como se costuma dizer eu descalcei as botas em 2002. Embora continuasse a dar consultas privadas de Medicina Desportiva, a fazer o acompanhamento de selec\u00e7\u00f5es e de equipas, o trabalho no Centro de Medicina Desportiva terminei-o em 2002.Em termos hist\u00f3ricos, foi mais ou menos o que se passou.<\/p>\n\n\n\n<!--nextpage-->\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Onde tirou o seu curso de Medicina?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Tirei-o c\u00e1, at\u00e9 ao quinto ano. Na altura da independ\u00eancia estava no quinto ano. Era basquebolista e da\u00ed ter come\u00e7ado a minha actividade em Medicina Desportiva. Eu tenho uma especialidade em Medicina Desportiva que fiz em Paris depois confirmei em Luanda com professores portugueses. Por isso o meu curso foi feito quase na totalidade na ent\u00e3o Faculdade de Medicina de Luanda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; E o que \u00e9 que o motivou, o que o levou a investir na viticultura em Mo\u00e7\u00e2medes? A sua fam\u00edlia tem algo a ver ali com a parte sul&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; N\u00e3o, n\u00e3o, \u00e9 daqui. Ali\u00e1s, nasci no Porto vim para aqui com quatro anos e estou c\u00e1 desde essa altura. Eu tenho 71 anos de Luanda, sou caluanda. Puro n\u00e3o sou porque n\u00e3o nasci c\u00e1 e n\u00e3o posso negar tamb\u00e9m as influ\u00eancias da minha educa\u00e7\u00e3o. Tenho uma miscigena\u00e7\u00e3o normal neste tipo de situa\u00e7\u00f5es, mas vivo aqui h\u00e1 71 anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Eu muitas vezes ou\u00e7o refer\u00eancia \u00e0 fam\u00edlia M\u00farias.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Havia aqui e havia uma no Lobito.&nbsp; Mas a mais conhecida era aqui, at\u00e9 porque o meu pai foi professor. Foi professor do (Jos\u00e9) Eduardo dos Santos, foi professor do Loy (Pedro Loy Van Dunem), foi professor do Lopo do Nascimento, foi professor de toda essa gente, era uma pessoa bem conhecida no meio escolar. No Lobito havia uma fam\u00edlia que n\u00f3s uma vez tentamos ver la\u00e7os comuns, n\u00e3o conclu\u00edmos, mas de certeza que temos&#8230; Um tio meu, que veio c\u00e1 fazer a tropa colonial, passou pelo Lobito, foi falar com eles, mas n\u00e3o encontramos, pelo menos, la\u00e7os pr\u00f3ximos. Mas de certeza que deve haver alguma liga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 um nome muito vulgar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Retomando&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Eu vou explicar, como \u00e9 que surgiu isto? Eu tinha um amigo em Mo\u00e7\u00e2medes, morreu h\u00e1 um ano e meio, que eu visitava com bastante frequ\u00eancia, era um amigo daqui dos meus jogos de basquete, eu joguei basquete no Benfica, joguei basquete no CDUA e depois joguei basquete tamb\u00e9m no 1\u00ba de Agosto, fui o primeiro capit\u00e3o da primeira equipa federada do 1\u00ba de Agosto e depois tamb\u00e9m fui o primeiro capit\u00e3o da primeira sele\u00e7\u00e3o de Angola.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"566\" height=\"458\" src=\"https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/PauloMurias.jpeg5_.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-6571\" style=\"width:420px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/PauloMurias.jpeg5_.webp 566w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/PauloMurias.jpeg5_-300x243.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 566px) 100vw, 566px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>&#8211; Ent\u00e3o cruzou-se com o Vitorino&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; O Vitorino jogava comigo no CDUA e depois tamb\u00e9m no 1\u00ba de Agosto.<\/p>\n\n\n\n<p><em>A entrevista, assume o tom de conversa com o recurso a mem\u00f3rias, a lembran\u00e7a de amigos comuns e de cruzamentos nos campos de basquete, numa \u00e9poca em que assistir aos jogos de basquete fazia parte das rotinas de muitos jovens desta cidade e n\u00e3o s\u00f3.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Ent\u00e3o, eu tinha um amigo que era o Vasco Martinho, esse amigo foi para o Namibe, foi colocado no Namibe e foi l\u00e1 delegado das Pescas durante anos e anos. E eu gostava muito de ir l\u00e1, sempre achei aquela zona calma, agrad\u00e1vel, sem o bul\u00edcio de Luanda. Eu ia l\u00e1 desde 86, mas s\u00f3 a visitar o Vasco. E quando comecei a ter algum poder de compra, estamos a falar de fins dos anos 90, princ\u00edpios dos anos 2000, aquilo em que comecei a ter algum sucesso foi a universidade, que deu alguma folga financeira, o Vasco virou-se para mim e disse &#8220;porque \u00e9 que n\u00e3o investes aqui em qualquer coisa, assim vinhas c\u00e1 mais vezes.&#8221; Digamos que come\u00e7ou assim, de facto come\u00e7ou assim. E, entretanto, ele, passado um ou dois ou tr\u00eas meses, localizou l\u00e1 uma quinta, telefonou-me a dizer que era interessante e que o propriet\u00e1rio se queria desfazer dela. E isso come\u00e7ou, estamos a falar de 2001, salvo o erro, por a\u00ed. Acontece que a minha primeira escolha foram as oliveiras, porque ainda havia aquela imagem das azeitonas de Mo\u00e7\u00e2medes, tamb\u00e9m acho que \u00e9 do seu tempo ainda se lembra disso, as azeitonas de Mo\u00e7\u00e2medes. Acontece que eu cometi um erro, s\u00f3 vim a saber mais tarde: \u00e9 que eu fui buscar \u00e0 \u00c1frica do Sul umas esp\u00e9cies que exigem um per\u00edodo de muito frio. Resultado, tenho l\u00e1 as oliveiras j\u00e1 h\u00e1 mais de 15 anos e at\u00e9 agora deram zero. Tenho l\u00e1 umas oliveiras antigas que de vez em quando d\u00e3o. Tamb\u00e9m, digamos que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; O fracasso das oliveiras, n\u00e3o o fez desistir&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Ao fim de quase 10 anos, como as oliveiras n\u00e3o deram nada, eu resolvi ir para a segunda cultura. Como \u00e9 que eu escolhi estas culturas? Porque eu sabia que era a \u00fanica prov\u00edncia onde no tempo colonial se fazia a explora\u00e7\u00e3o quer de videiras, quer de oliveiras. E com uma caracter\u00edstica engra\u00e7ada, \u00e9 que havia um despacho do Salazar, que eu tamb\u00e9m j\u00e1 localizei, que proibia as uvas para vinho e proibia as oliveiras que dessem azeitonas para azeite, com medo da concorr\u00eancia com a metr\u00f3pole. De facto, aqui no nosso pa\u00eds, l\u00e1 em baixo, as uvas d\u00e3o duas vezes por ano, atendendo ao chamado \u00edndice de incid\u00eancia solar, a quantidade de sol que incide aqui no pa\u00eds durante quase todo o ano. Isso \u00e9 que determina as produ\u00e7\u00f5es. N\u00f3s, por exemplo, acabamos de fazer agora uma vindima em Fevereiro e vamos fazer outra vindima em Agosto\/Setembro, ou seja, temos sempre duas vindimas.<\/p>\n\n\n\n<!--nextpage-->\n\n\n\n<p><strong>&#8211; O clima daquela zona \u00e9 considerado um clima mediterr\u00e2nico.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; \u00c9 um misto. O que diz o en\u00f3logo \u00e9 que o chamado <strong><em>terroir<\/em><\/strong>, que \u00e9 o ambiente que circunda, \u00e9 um ambiente muito especial em que se re\u00fanem tr\u00eas caracter\u00edsticas. Por um lado, o clima des\u00e9rtico mediterr\u00e2nico. Por outro lado, o deserto, o segundo factor. E o terceiro factor, que ele diz que \u00e9 capaz de ser dos mais importantes, \u00e9 a corrente fria de Benguela. A corrente fria de Benguela, quando vem, entra por aqueles vales e vai influenciar todo aquele meio ambiente e dar um sabor especial \u00e0s uvas. Esta \u00e9 a opini\u00e3o do en\u00f3logo. Por isso, a minha op\u00e7\u00e3o pelas videiras nasce da\u00ed, de saber que historicamente era o \u00fanico s\u00edtio e os portugueses tinham alguma experi\u00eancia e n\u00e3o faziam isso por acaso. \u00c9 porque, de facto, aquela regi\u00e3o tem potencial produtivo em termos de viticultura e mesmo de cultivo de oliveiras&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Mas esse projecto das oliveiras \u00e9 irrecuper\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Eu j\u00e1 experimente quinhentas mil coisas. Acontece que at\u00e9 agora ainda n\u00e3o deram. Mas eu ainda n\u00e3o perdi a esperan\u00e7a de que isto seja uma fase de adapta\u00e7\u00e3o ao fim da qual as oliveiras come\u00e7am a produzir. \u00c9 um sonho meu, e eu j\u00e1 disse aos meus filhos, enquanto eu n\u00e3o fechar os olhos voc\u00eas n\u00e3o arrancam as oliveiras. At\u00e9 porque tenho espa\u00e7o para a parte das oliveiras, tem espa\u00e7o suficiente, ainda tem espa\u00e7o de crescimento e por isso tamb\u00e9m n\u00e3o tenho uma necessidade premente de alargar para aquela zona, embora sejam 20 hectares. Eu tenho 14 000 p\u00e9s de oliveira. Deram zero at\u00e9 agora&#8230; Esse, concluindo, foi o historial da minha ida para Mo\u00e7\u00e2medes&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Ent\u00e3o, temos aqui as oliveiras, o desafio e depois, quando se vira para as vinhas, como \u00e9 que foi?&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-15-at-17.32.39-4-1024x768.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-6578\" style=\"width:581px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-15-at-17.32.39-4-1024x768.webp 1024w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-15-at-17.32.39-4-300x225.webp 300w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-15-at-17.32.39-4-768x576.webp 768w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-15-at-17.32.39-4-1536x1152.webp 1536w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-15-at-17.32.39-4-750x563.webp 750w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-15-at-17.32.39-4-1140x855.webp 1140w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-15-at-17.32.39-4.webp 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Vinha da fazenda M.M\u00farias, nas margens rio Bero, Mo\u00e7\u00e2medes, Namibe<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; \u00c9 a segunda alternativa. H\u00e1 um factor ainda, que \u00e9 importante, que \u00e9 o factor produtividade. Ou seja, os terrenos s\u00e3o muito pobres em mat\u00e9ria org\u00e2nica, s\u00e3o terrenos arenosos e areia do deserto com mais algumas mat\u00e9rias org\u00e2nicas que o rio traz. Mas agora nem isso n\u00f3s temos porque constru\u00edram um dique&#8230; vamos fazer a primeira experi\u00eancia agora quando o rio come\u00e7ar a correr, que \u00e9 compr\u00e1mos umas mangueiras que v\u00e3o buscar \u00e1gua ao rio e que despejam ali. Estamos a fazer isso, vamos ter a primeira experi\u00eancia este ano, s\u00f3 que este ano h\u00e1 uma seca razo\u00e1vel. Embora l\u00e1 para baixo para o sul ainda haja zonas em que tem chovido bem, estou com receio que n\u00e3o seja ainda este ano que n\u00f3s vamos conseguir fazer essa experi\u00eancia. No entanto, n\u00f3s vamos tentando melhorar o solo com o estrume de vaca, agora at\u00e9 estamos a usar o de camelo porque a prov\u00edncia importou uma s\u00e9rie de camelos. Estamos a aproveitar o esterco de camelo que depois do cavalo \u00e9 o melhor estrume que h\u00e1. Eu tamb\u00e9m estou a aprender tudo isto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; No norte de \u00c1frica sabem disso.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>PM &#8211; Depois do cavalo \u00e9 o melhor. Depois \u00e9 que vem a vaca. Sendo que as cabras e as ovelhas est\u00e3o equiparadas com as vacas. O problema das cabras das ovelhas \u00e9 a quantidade&#8230;t\u00e3o pouca coisa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; &nbsp;Ent\u00e3o, a um determinado momento come\u00e7ou a produzir&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Come\u00e7ou a produzir em 2017, 16\/17. O que \u00e9 que eu fiz nessa altura quando as videiras come\u00e7aram a produzir? Fui pesquisar um en\u00f3logo em Portugal. N\u00f3s aqui n\u00e3o temos ningu\u00e9m. E eu optei pela colabora\u00e7\u00e3o portuguesa porqu\u00ea? Porque se voc\u00ea chegar a um supermercado, de cada 10 garrafas vendidas, 8 ou 9 s\u00e3o portugueses.&nbsp; Ou seja, n\u00f3s aqui, angolanos, estamos habituados ao sabor do vinho portugu\u00eas. Isto \u00e9, eu apostei naquilo que me pareceu l\u00f3gico, n\u00e3o vou agora alterar porque o h\u00e1bito de vinho cria-se durante gera\u00e7\u00f5es, e ent\u00e3o fui buscar cepas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Mas mesmo o vinho da \u00c1frica do Sul tamb\u00e9m usa algumas castas portuguesas&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; O vinho da \u00c1frica do Sul \u00e9 muito mais internacional. \u00c9 o Cabernet Sauvignon, \u00e9 o Shiraz&#8230; Mas agora tamb\u00e9m est\u00e3o a experimentar algumas castas portuguesas, principalmente a que n\u00f3s tamb\u00e9m temos aqui que \u00e9 a Touriga. Eles est\u00e3o a usar a Touriga para alguns <strong><em>blends<\/em><\/strong> ou misturas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; &nbsp;E quais s\u00e3o as castas das suas vinhas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; N\u00f3s temos a Touriga Nacional, temos Touriga Franca, temos Sous\u00e3o e temos Aragon\u00eas. Agora j\u00e1 diversificamos, mas ainda est\u00e1 em fase experimental. Temos meia d\u00fazia de canas de Portugal at\u00e9 para ver quais s\u00e3o as que se d\u00e3o bem&#8230; E temos l\u00e1 1\/4 de hectare com essas experi\u00eancias&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; &nbsp;O Vale do Bero que est\u00e1 a ser produzido agora \u00e9 um blend.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; \u00c9 um <strong><em>blend<\/em><\/strong>, com essas quatro castas. At\u00e9 para ver as que se d\u00e3o bem aqui. Ou seja, n\u00f3s fazemos a colheita, metemos l\u00e1 nos dep\u00f3sitos de cimento, que \u00e9 outra coisa que eu depois vou dizer que eu acho que foi uma interessante sugest\u00e3o do en\u00f3logo, mas n\u00f3s acabamos de fazer a colheita, metemos nos dep\u00f3sitos e quando o en\u00f3logo vem faz as chamadas misturas, a que n\u00f3s chamamos lotes. Faz a mistura, ele \u00e9 que \u00e9 o alquimista, por assim dizer, ele \u00e9 que faz a mistura que d\u00e1 aquele vinho. Ele p\u00f5e uns 10\/12 copos faz as suas misturas v\u00ea o que \u00e9 que misturou, experimenta e pede-nos a n\u00f3s tamb\u00e9m para darmos opini\u00e3o e muitas vezes a nossa opini\u00e3o est\u00e1 muito pr\u00f3xima da dele. Depois faz as suas sele\u00e7\u00f5es. Porque o vinho n\u00e3o \u00e9 sempre o mesmo, o vinho vai evoluindo, como ele diz. E ele diz que tem vindo a evoluir positivamente. S\u00f3 houve uma colheita qualquer em que, segundo ele, baixamos um bocadinho, mas ultimamente temos vindo sempre a subir.<\/p>\n\n\n\n<!--nextpage-->\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Como \u00e9 que chegou a este en\u00f3logo, M\u00e1rio Andrade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Primeiro tomei a decis\u00e3o de que tinha de ser portugu\u00eas, e de adquirir castas portuguesas. Castas portuguesas, vinho com sabor parecido com o de Portugal, embora aqui tenham um aspecto que o en\u00f3logo refere que eventualmente ser\u00e1 o deserto, eventualmente ser\u00e1 a corrente fria de Benguela que lhe d\u00e1 outro sabor. Mas fui para um vinho pr\u00f3ximo do sabor do vinho portugu\u00eas. E fui buscar algu\u00e9m que conhece as castas portuguesas e que trabalha com as castas portuguesas. Eu tenho uma quintarola em Portugal, na zona de Estremoz. Na zona de Estremoz, quem domina \u00e9 o Portugal Ramos. Ele \u00e9 que me aconselhou e indicou o M\u00e1rio Andrade. O Portugal Ramos chegou a estar aqui e ele e o Teles estiveram para ser meus s\u00f3cios. S\u00f3 que eu ainda n\u00e3o tinha dimens\u00e3o para eles serem meus s\u00f3cios. Mas eles foram muito honestos eu gostei da postura deles, disseram-me &#8220;com esta dimens\u00e3o n\u00e3o nos interessa&#8230;&#8221; Ent\u00e3o, indicado pelo Portugal Ramos, que \u00e9 um \u00f3ptimo perito, porque este en\u00f3logo foi en\u00f3logo fixo do Portugal Ramos durante 17 anos, aprendeu muito com o Portugal Ramos tamb\u00e9m ensinou muito ao Portugal Ramos, porque o Portugal Ramos acho que \u00e9 um bom provador, mas n\u00e3o \u00e9 um homem de campo \u00e9 um homem mais de concep\u00e7\u00e3o. E depois tem de haver os que executam. E esse M\u00e1rio Andrade foi indicado por ele e depois eu andei a pesquisar e ele j\u00e1 foi indicado h\u00e1 revistas de vinhos que lhe fazem refer\u00eancia, e ele j\u00e1 foi nomeado en\u00f3logo do ano duas vezes. N\u00f3s costumamos dizer em linguagem corrente &#8220;n\u00e3o \u00e9 um civil qualquer&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Como \u00e9 que foi o primeiro contacto dele com aquela regi\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-15-at-17.32.39-3-768x1024.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-6577\" style=\"width:486px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-15-at-17.32.39-3-768x1024.webp 768w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-15-at-17.32.39-3-225x300.webp 225w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-15-at-17.32.39-3-750x1000.webp 750w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-15-at-17.32.39-3.webp 960w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Vinha da fazenda M.M\u00farias, nas margens rio Bero, Mo\u00e7\u00e2medes, Namibe<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>PM <\/strong>&#8211; Isso leva-me a uma outra caracter\u00edstica que eu gostava de frisar e que refiro sempre. Ele chegou aqui em 2017 e apercebeu-se de imediato da nossa realidade. Qual \u00e9 a nossa realidade? N\u00e3o pod\u00edamos ir para coisas com alta tecnologia, por isso vamos <strong><em>par low-tech<\/em><\/strong>. Utilizar ao m\u00e1ximo os materiais de constru\u00e7\u00e3o locais existentes para n\u00e3o termos de importar e nada de grandes sistemas el\u00e9trico-mec\u00e2nicos porque exigem uma manuten\u00e7\u00e3o para a qual n\u00f3s n\u00e3o temos capacidade e, por outro lado, o que \u00e9 que permite? Permite contratar pessoal e dar emprego. Vou-lhe dar um exemplo. Os lagares, os nossos lagares s\u00e3o abertos. Praticamente isso hoje s\u00f3 se usa em alguns tipos de vinho. A maior parte s\u00e3o lagares el\u00e9ctricos e fazem tudo sem precisar praticamente de ningu\u00e9m. Para n\u00f3s tinha a desvantagem por um lado de serem el\u00e9ctricos, manuten\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 que n\u00f3s ir\u00edamos fazer? Por outro lado, tamb\u00e9m, n\u00f3s, ao pormos el\u00e9ctricos, n\u00e3o pod\u00edamos contratar pessoal para ir pisar as uvas, tratar dos lagares, etc, etc. Resultado, n\u00f3s hoje j\u00e1 temos 86 trabalhadores, n\u00f3s hoje j\u00e1 temos uma popula\u00e7\u00e3o, um aldeamento perto da fazenda, aonde cerca de metade do pessoal, ou s\u00e3o trabalhadores ou s\u00e3o familiares dos trabalhadores. Ou seja, conseguimos dar emprego ali naquela regi\u00e3o, que eu penso tamb\u00e9m que \u00e9 uma componente social com a qual eu tamb\u00e9m gosto de me preocupar. &nbsp;E outra coisa tamb\u00e9m que ele nos aconselhou foram os tais materiais locais, ou seja, em vez de n\u00f3s irmos para aqueles cl\u00e1ssicos tanques de a\u00e7o inox. Que s\u00e3o dif\u00edceis de transportar. T\u00eam muito volume. Se se trazem as folhas s\u00f3, \u00e9 uma soldadura muito especial que s\u00f3 peritos \u00e9 que conseguem, principalmente para o vinho. Resultado, ele disse &#8220;vamos fazer tudo de cimento.&#8221; E at\u00e9 me disse que actualmente na Europa est\u00e1-se a voltar ao cimento. E mostrou-me umas fotografias de uma das adegas mais modernas, em Bord\u00e9us, toda feita em cimento, uma arquitetura toda moderna\u00e7a, mas \u00e9 toda em cimento. Porqu\u00ea? Porque o cimento tem uma porosidade que assegura a estabilidade do vinho durante uma fase que \u00e9 o chamado est\u00e1gio. Ou seja, o vinho depois da colheita tem de ir para os tanques e tem de ficar l\u00e1 o m\u00ednimo seis meses a essa fase chama-se est\u00e1gio. E \u00e9 durante essa fase que ele precisa de alguma estabilidade e est\u00e1 em muito maior estabilidade com o cimento do que propriamente com o a\u00e7o inox.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Todas essas componentes algumas sugeridas pelo en\u00f3logo, outras derivadas do ambiente, podem levar a que possamos dizer que estamos perante um vinho de sabor angolano?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM <\/strong>&#8211; Deixe-me dizer qual \u00e9 a opini\u00e3o dele. Quando foi do lan\u00e7amento do vinho, estava l\u00e1 o governador, ele usou uma imagem muito engra\u00e7ada: ele disse, se voc\u00eas querem um vinho tipicamente franc\u00eas v\u00e3o Bord\u00e9us; querem um vinho tipicamente portugu\u00eas, o Douro, vinho tipicamente angolano \u00e9 o Vale do Bero e depois explicou: o <strong><em>terroir<\/em><\/strong> aqui d\u00e1 uma caracter\u00edstica muito especial embora sejam castas vindas de Portugal, mas t\u00eam uma caracter\u00edstica especial por causa do deserto, do clima e da corrente fria de Benguela. Ele introduziu esse factor que acho engra\u00e7ado e interessante. Agora, n\u00f3s precisamos, na minha opini\u00e3o, de algu\u00e9m que se dedique n\u00e3o a executar, mas a estudar. Embora o M\u00e1rio seja uma pessoa capaz, n\u00e3o tem tempo. Em Portugal tem a\u00ed uns 10 clientes que o ocupam a cem por cento e ele n\u00e3o tem grande tempo para escrever, para analisar, para investigar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Mas a enologia hoje \u00e9 uma \u00e1rea que est\u00e1 a atrair muitos jovens&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM &#8211;<\/strong> &#8230;E h\u00e1 um aspecto importante, eu tinha essa ideia, que o M\u00e1rio me confirmou. Foi o aparecimento da forma\u00e7\u00e3o em enologia em Portugal que permitiu que o vinho portugu\u00eas disparasse. &nbsp;Todos os vinhos em Portugal dispararam em termos de qualidade. Ele concorda comigo. A enologia aparece como ci\u00eancia especializada a partir de 2000, como um curso, at\u00e9 h\u00e1 cursos verticais de enologia. Ele fez uma coisa que era na altura o curso de engenharia industrial e depois dentro da engenharia industrial havia o ramo alimentar. E dentro do alimentar, a enologia.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Mais uma vez a conversa expande-se por outras veredas, o aparecimento de estudos de enologia em pa\u00edses sem tradi\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o de vinho, como a Inglaterra, que nos finais de s\u00e9culo XX e in\u00edcio do s\u00e9culo XXI ganhou um impulso na produ\u00e7\u00e3o de vinhos brancos, espumantes, principalmente, que concorrem com os melhores vinhos deste tipo em outros pa\u00edses.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Mas voltemos aos percursos do en\u00f3logo que ajudou a dar corpo ao Vale do Bero e que agora parece estar a dedicar-se a outros tipos de vinhos&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong>&#8211; A \u00e1rea preferida dele \u00e9 a Fran\u00e7a. Ele vai muito a Bord\u00e9us. &nbsp;Mas, agora ele vai muito \u00e0 Alemanha tamb\u00e9m porque ele agora est\u00e1 vocacionado para os vinhos brancos. Pode haver aqui um bocado de modismo, mas ele est\u00e1 agora nos brancos e n\u00f3s j\u00e1 temos aqui uvas para come\u00e7amos tamb\u00e9m no vinho branco.&nbsp; Como est\u00e1 muito vocacionado para os vinhos brancos ele sabe que um dos melhores vinhos brancos \u00e9 o <strong><em>Riesling<\/em><\/strong>. Ent\u00e3o vai muito \u00e0 Alemanha. Inclusive j\u00e1 fez parte do j\u00fari na Alemanha de aprecia\u00e7\u00e3o dos vinhos, provas cegas, ele vai l\u00e1 com alguma regularidade, faz parte do j\u00fari internacional de aprecia\u00e7\u00e3o de vinhos. Ele vai \u00e0 Alemanha e vai \u00e0 Fran\u00e7a. Tamb\u00e9m diz que em Espanha ali uma zona da Rioja, h\u00e1 bons vinhos. Nunca foi ao Brasil, acho que ele j\u00e1 foi \u00e0 Argentina ou ao Chile, mas s\u00f3 a t\u00edtulo de curiosidade. Mas onde ele de facto vai com bastante frequ\u00eancia \u00e9 a Bord\u00e9us. \u00c9 a zona dele, ele domina aquela zona, vai l\u00e1 h\u00e1 muito tempo e, de facto, ele \u00e9 um estudioso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; \u00c9 uma zona incontorn\u00e1vel.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; \u00c9. Por acaso tenho de ir l\u00e1, j\u00e1 passei por l\u00e1 duas vezes, mas quero ir l\u00e1 com mais calma agora com o olhar do viticultor.<\/p>\n\n\n\n<!--nextpage-->\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Como \u00e9 que os angolanos est\u00e3o a receber o Vale do Bero?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Eu penso que muito bem. H\u00e1 muitas fam\u00edlias que me dizem &#8220;l\u00e1 minha casa s\u00f3 se bebe desse&#8221;. Ainda agora, n\u00e3o sei se conhece, o Gustavo da Concei\u00e7\u00e3o, que jogou basquete comigo, fez agora anos ele diz &#8220;em minha casa, \u00e9 s\u00f3 Bero&#8221;. As pessoas de facto abra\u00e7aram porque tem qualidade. \u00c9 aquele orgulho do angolano, e que eu acho muito bem, nos produtos locais, mas produtos locais que tenham qualidade.&nbsp; Isso satisfaz-me muito, como deve calcular.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; H\u00e1 algum esfor\u00e7o suplementar da vossa parte, do ponto de vista do marketing, para introduzir o Vale do Bero no mercado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Como \u00e9 como \u00e9 que eu planeei isso&#8230; Eu s\u00f3 sou respons\u00e1vel at\u00e9 \u00e0 porta de sa\u00edda do produto, ou seja, eu subcontratei uma empresa no sentido de fazer a comercializa\u00e7\u00e3o, que inclui o marketing. Claro que eu tenho uma estreita rela\u00e7\u00e3o com eles. N\u00f3s reunimo-nos, n\u00f3s falamos, eles pr\u00f3prios dizem &#8220;agora temos que fazer uma campanha de marketing&#8221;. Nas grandes superf\u00edcies, de vez em quando, aparece em destaque o Vale do Bero. Aquilo \u00e9 pago, mas, de facto, tem efeitos, porque n\u00f3s estamos com problemas como eu lhe disse, de produtividade, \u00e9 o nosso calcanhar de Aquiles. Ali\u00e1s, eu agora tamb\u00e9m j\u00e1 contratei um engenheiro, um engenheiro que \u00e9 mais viticultor. Brasileiro. Porqu\u00ea? Porque o Brasil tem experi\u00eancia em cultura de uvas em clima tropical. O pr\u00f3prio M\u00e1rio disse que \u00e9 interessante. O M\u00e1rio ficou muito bem surpreendido, agradavelmente surpreendido com ele. Ele esteve aqui a trabalhar durante alguns anos na Agrol\u00edder. E agora vem aqui s\u00f3 como assessor da Agrol\u00edder. E por isso \u00e9 que eu pude contrat\u00e1-lo tamb\u00e9m como meu assessor. Ele vem agora, tamb\u00e9m se vai encontrar com o M\u00e1rio pela primeira vez e v\u00e3o analisar o que \u00e9 que \u00e9 preciso fazer, etc., etc. Mas digamos que n\u00f3s fomos por esse caminho porque o pr\u00f3prio viticultor, um portugu\u00eas, que esteve aqui, que se foi embora por quest\u00f5es de sa\u00fade, dizia, &#8220;esque\u00e7am-se de Portugal. Isto aqui \u00e9 completamente diferente.&#8221; Eles pr\u00f3prios t\u00eam a no\u00e7\u00e3o de que na realidade as coisas aqui s\u00e3o diferentes. E esse engenheiro\/viticultor tem muita experi\u00eancia daqui e no Brasil porque ele agora est\u00e1 no Brasil com muito sucesso tamb\u00e9m a desenvolver as uvas dele e os vinhos dele. Pronto, \u00e9 um homem com bastante sucesso e muito conhecedor em clima tropical, que \u00e9 fundamental saber-se isso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; A sua experi\u00eancia \u00e9 solit\u00e1ria, existem outros viticultores em Angola, existem outras pessoas interessadas&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>PM &#8211; As informa\u00e7\u00f5es que eu tenho \u00e9 que houve pelo menos uma experi\u00eancia que acho eu que em termos de qualidade n\u00e3o deu certo. At\u00e9 porque me disseram tamb\u00e9m que o mosto era importado e que faziam c\u00e1 o resto. \u00c9 o que sei de ouvir dizer&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Se tivesse dado certo estaria por a\u00ed&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; N\u00e3o singrou. Depois, no ano passado ou h\u00e1 dois anos houve um outro caso ali no Lubango que tamb\u00e9m apareceu com grandes parangonas l\u00e1 na feira do Lubango, do g\u00e9nero &#8220;vamos fazer e acontecer&#8221; aquilo tinha o pavilh\u00e3o mais luxuoso da feira etc. etecetera. Disseram-me tamb\u00e9m que era feito na fazenda regi\u00e3o, mas o que eu sei \u00e9 que aquilo tamb\u00e9m nunca mais avan\u00e7ou e quando n\u00f3s fomos visitar a tal fazenda s\u00f3 tinha 2 hectares.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Quantos hectares \u00e9 que tem?<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-30-at-10.55.37-1024x576.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-6581\" style=\"width:582px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-30-at-10.55.37-1024x576.webp 1024w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-30-at-10.55.37-300x169.webp 300w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-30-at-10.55.37-768x432.webp 768w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-30-at-10.55.37-1536x864.webp 1536w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-30-at-10.55.37-750x422.webp 750w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-30-at-10.55.37-1140x641.webp 1140w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-30-at-10.55.37.webp 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Vinha da fazenda M.M\u00farias, nas margens rio Bero, Mo\u00e7\u00e2medes, Namibe<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>P<strong>M<\/strong> &#8211; Eu comecei com 20 hectares. Presentemente j\u00e1 estamos com 38 hectares. E acabei agora de alugar \u00e0 minha vizinha que, na minha opini\u00e3o at\u00e9 tem uma terra melhor que a minha, mais 20 hectares. Ou seja, presentemente tenho 40 com perspectivas de ir para os 60. Nestes 40 hectares ainda n\u00e3o tenho velocidade de cruzeiro em 20. Ou seja, os 20 s\u00e3o plantados recentemente e s\u00f3 atingem a velocidade de cruzeiro ao fim de 2\/3 anos 4 anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Qual \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o anual, actual?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Vamos falar em garrafas. Eu estou muito perto das cem mil. Este ano acho que vou usar as cem mil e h\u00e1 aqui um factor que \u00e9 importante: estou a crescer. Desde 2022 at\u00e9 hoje, todos os anos tenho crescido. No ano passado tamb\u00e9m cresci, n\u00e3o cresci aquilo que eu gostava, mas de qualquer das maneiras cresci e este ano espero atingir as tais cem mil que \u00e9 a primeira meta que eu tracei, com os 20 hectares. Agora quando os outros come\u00e7arem tamb\u00e9m, posso duplicar. Cem mil garrafas n\u00e3o \u00e9 assim nada de muito especial, mas \u00e9 um come\u00e7o.&nbsp; Nos meus empreendimentos nunca gostei de dar passos de gigante. Porque acho que na realidade as coisas t\u00eam de se fazer malembe malembe como dizemos aqui, calmamente, consolidar que \u00e9 para n\u00e3o trope\u00e7ar cair e as coisas fecharem. Talvez at\u00e9 \u00e0s vezes tenho cuidado demais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Cem mil garrafas, isto \u00e9 para consumo interno.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Mais do que isso eu n\u00e3o consigo responder de forma nenhuma. Sabe o que \u00e9 que eu digo: quanto mais houvera mais vendera. Ou seja, na realidade estou muito longe do mercado interno. Nem estou a pensar em exportar, mas j\u00e1 fui, fui n\u00e3o, quem \u00e9 assediado \u00e9 a Multi\u00e1frica, a Multi\u00e1frica \u00e9 que \u00e9 a distribuidora. J\u00e1 vieram da Nam\u00edbia pedir um contentor, j\u00e1 vieram da R\u00fassia, como a R\u00fassia agora est\u00e1 fechada em termos de com\u00e9rcio na Europa tamb\u00e9m da R\u00fassia pediram um contentor para experimentar. J\u00e1 vieram aqui do lado, do Congo Brazzaville, j\u00e1 vieram de S\u00e3o Tom\u00e9, ou seja, tenho pedidos, mas n\u00e3o tenho capacidade, n\u00e3o me vou meter enquanto n\u00e3o conseguir satisfazer o mercado local, \u00e9 uma estupidez s\u00f3 para dizer que tenho vinho aqui e ali&#8230;.<\/p>\n\n\n\n<!--nextpage-->\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Que apoios \u00e9 que tem tido?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Eu, at\u00e9 agora, empr\u00e9stimos zero. J\u00e1 meti duas vezes e at\u00e9 agora empr\u00e9stimos zero. Eu tenho de reconhecer que este governador me apoiou, mas apoiou-me mais em rela\u00e7\u00e3o aos aspectos que t\u00eam de ser vencidos, e que n\u00e3o s\u00e3o poucos, administrativos, burocr\u00e1ticos etc. etc. Eu posso dizer-lhe que, por exemplo, para ter uma no\u00e7\u00e3o, eu abri a comercializa\u00e7\u00e3o, como disse h\u00e1 bocado, em Agosto de 2022 e em Janeiro de 2024, por isso um ano e quatro meses depois, tinha uma multa da AGT de 85 milh\u00f5es. S\u00f3 para voc\u00ea ver qual \u00e9 a mentalidade destes indiv\u00edduos. Claro que tive de recorrer ao governador, tive de recorrer, mas mesmo assim tive de pagar ali uma coisa ainda razo\u00e1vel para as minhas factura\u00e7\u00f5es. \u00c9 s\u00f3 para voc\u00ea ver qual \u00e9 a din\u00e2mica Por exemplo, eu costumo dizer que quem nos visita mais \u00e9 a AGT, s\u00e3o os bombeiros para nos aplicarem multas, \u00e9 a seguran\u00e7a social para nos aplicarem multas, quer dizer n\u00f3s somos muito mais visitados por essas entidades das multas do que pelas do cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Parece haver aqui alguma contradi\u00e7\u00e3o&#8230; O Estado que pretende fomentar o empreendedorismo&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Sem entrar em pormenores, posso dizer que temos problemas estruturais, e n\u00e3o s\u00f3, que talvez s\u00f3 consigamos resolver dentro de uma ou duas gera\u00e7\u00f5es. Uma pessoa tem de tentar equilibrar um bocado, tamb\u00e9m n\u00e3o hostilizar demais, mas de qualquer das maneiras \u00e9 angustiante. \u00c0s vezes apetece-me fechar aquilo e entregar a chave ao governador. Eu j\u00e1 lhe disse &#8220;senhor governador, um dia destes fecho aquilo e entrego-lhe as chaves&#8221;&#8230; E repare, o pr\u00f3prio governador nos seus discursos de fim de ano refere como \u00edcones da prov\u00edncia o vinho e os caranguejos. Quando o presidente l\u00e1 foi, numa daquelas presid\u00eancias abertas que ele faz, em que leva os ministros todos e faz l\u00e1 a reuni\u00e3o dos ministros, ele escolheu s\u00f3 dois s\u00edtios para ir visitar a n\u00edvel privado: os caranguejos e o vinho. E mesmo assim, aqueles indiv\u00edduos&#8230;, eles pensam que n\u00f3s estamos cheios de dinheiro, eu ainda n\u00e3o atingi o <strong><em>break even<\/em><\/strong>, e j\u00e1 estou nisto h\u00e1 tr\u00eas anos, estou a comercializar e j\u00e1 comecei em 2014 com vinho, j\u00e1 tenho 10 anos de investimentos e \u00e9 sempre a sair, a sair, a sair, a sair.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-15-at-17.32.39-2-768x1024.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-6576\" style=\"width:390px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-15-at-17.32.39-2-768x1024.webp 768w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-15-at-17.32.39-2-225x300.webp 225w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-15-at-17.32.39-2-750x1000.webp 750w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-15-at-17.32.39-2.webp 960w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Transporte das uvas para o lagar depois da vindima<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>&#8211; O que acha que deveria ser feito para proteger empreendimentos como o seu, que d\u00e3o emprego, que podem ajudar a abrir as portas para a exporta\u00e7\u00e3o&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Eu ponho a mesma quest\u00e3o e n\u00e3o percebo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Mas j\u00e1 existem leis para proteger&#8230; \u00c9 assim t\u00e3o dif\u00edcil aplicar boas pr\u00e1ticas?&#8230;-<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM <\/strong>&#8211; N\u00f3s temos boas leis, mas n\u00e3o as colocamos em ac\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 esse. De facto, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Ali no Namibe, em resumo, de facto, o governador tem-me apoiado, n\u00e3o digo que n\u00e3o. Tem-me apoiado tanto quanto pode&#8230; Eu at\u00e9 tenho tido uma rela\u00e7\u00e3o pessoal com ele bastante boa, embora ultimamente tenham surgido alguns problemas que esfriaram essa rela\u00e7\u00e3o porque foram tomadas algumas medidas que prejudicam os meus interesses.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Apesar das dificuldades voc\u00ea n\u00e3o desistiu e o projecto continua&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM <\/strong>&#8211; N\u00e3o falei numa coisa que \u00e9 interessante. As perspectivas n\u00e3o s\u00f3 de crescimento de que eu j\u00e1 falei, j\u00e1 estou com 38\/39 hectares por isso vou chegar aos 40 e aluguei mais 20 para chegar aos 60. O meu pr\u00f3ximo salto \u00e9 chegar aos 60. E, entretanto, n\u00f3s tamb\u00e9m vamos diversificar. Vamos apostar no vinho branco, para daqui a dois\/tr\u00eas anos, mais ou menos, j\u00e1 temos l\u00e1 algumas cepas. Uma delas deu-se muito bem e teve uma produ\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; E qual \u00e9 a casta que v\u00e3o usar para o branco?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Uma italiana, o en\u00f3logo \u00e9 que escolheu uma italiana qualquer. Ele trouxe duas italianas, de vinho branco s\u00f3 trouxe italianas. Ele aconselhou e uma delas deu-se bem. A produtividade ali nunca \u00e9 espetacular, mas uma delas \u00e9 razo\u00e1vel, em termos de produtividade. Outra coisa em que nos vamos meter, e j\u00e1 temos l\u00e1 algumas experi\u00eancias razo\u00e1veis, \u00e9 nas aguardentes. Aguardente v\u00ednica. Poder\u00edamos eventualmente tamb\u00e9m ir para uma aguardente de manga porque n\u00f3s temos muitas mangueiras l\u00e1. Ainda agora foi o per\u00edodo de Dezembro\/Janeiro que \u00e9 a \u00e9poca das mangas. Elas n\u00e3o d\u00e3o rentabilidade nenhuma, ent\u00e3o a nossa ideia \u00e9 tentar armazen\u00e1-las. Vamos ainda estudar como \u00e9 que se armazenam as mangas e depois tentar fazer uma aguardente de manga e mais, vamos tamb\u00e9m tentar um gin de manga. Porque vem agora com o en\u00f3logo, um engenheiro, tamb\u00e9m engenheiro agr\u00f3nomo, que em Portugal \u00e9 especializado em bebidas destiladas e tem inclusive um gin dele. Vem aqui exactamente para ver as condi\u00e7\u00f5es para fazermos tamb\u00e9m. Aguardente v\u00ednica vou fazer de certeza. Ali\u00e1s j\u00e1 temos l\u00e1 80 ou 90 litros. O M\u00e1rio provou e diz que n\u00e3o \u00e9 mau. Diz que \u00e9 mais que aceit\u00e1vel est\u00e1 um bocadinho acima do aceit\u00e1vel. E agora vamos tamb\u00e9m ver a quest\u00e3o da aguardente a partir da manga e eventualmente para rentabilizar. Temos mangueiras enormes, alt\u00edssimas e as mangas caiem e ningu\u00e9m apanha e aquilo n\u00e3o rende rigorosamente nada e s\u00f3 d\u00e1 durante dois meses. N\u00f3s temos que arranjar uma forma de armazenar e depois, durante o ano, fazer um produto destilado, aguardente e, eventualmente, um gin de manga tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<!--nextpage-->\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Como qualificar o Vale do Bero em termos de qualidade: m\u00e9dia, m\u00e9dia alta&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; O en\u00f3logo diz que sim, ele fala mais para m\u00e9dia alta &#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Falemos tamb\u00e9m das uvas de mesa&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; J\u00e1 tive uvas de mesa, mas acontece que as esp\u00e9cies que est\u00e3o aqui&#8230; o homem dos caranguejos, o M\u00e1rio Carquejo, muito famoso l\u00e1 no Namibe, tem tamb\u00e9m uma produ\u00e7\u00e3o de uvas de mesa. Mas quelas que trouxeram s\u00e3o um <strong><em>flop<\/em><\/strong>. &nbsp;Por outro lado, se o vinho est\u00e1 a dar, eu j\u00e1 substitu\u00ed quase tudo o que era uva de mesa, pelas uvas vin\u00edcolas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Qual \u00e9 a sua prefer\u00eancia vinho tinto ou branco?<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"577\" src=\"https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/fb28c02c-d560-4489-af3a-86e5499df485-1024x577.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-6583\" style=\"aspect-ratio:1.774727775638108;width:458px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/fb28c02c-d560-4489-af3a-86e5499df485-1024x577.webp 1024w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/fb28c02c-d560-4489-af3a-86e5499df485-300x169.webp 300w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/fb28c02c-d560-4489-af3a-86e5499df485-768x432.webp 768w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/fb28c02c-d560-4489-af3a-86e5499df485-1536x865.webp 1536w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/fb28c02c-d560-4489-af3a-86e5499df485-750x422.webp 750w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/fb28c02c-d560-4489-af3a-86e5499df485-1140x642.webp 1140w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/fb28c02c-d560-4489-af3a-86e5499df485.webp 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Eu gosto de tinto. Embora o branco seja mais adequado aqui ao clima, deve ser bebido fresco, mas h\u00e1 outra coisa engra\u00e7ada, a popula\u00e7\u00e3o aqui n\u00e3o tem habitua\u00e7\u00e3o de beber vinho branco, s\u00e3o muito poucos aqueles que optam por vinho branco.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; H\u00e1 quem ponha o tinto na geleira&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; O tinto, \u00e9 o que diz no r\u00f3tulo, deve ser bebido entre os 17 e os 18 graus, ora 17 e 18 para n\u00f3s \u00e9 geleira. Porque se tirar da geleira passado cinco minutos est\u00e1 fresco.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Um prato angolano que combine perfeitamente com o Vale do Bero&#8230;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM <\/strong>&#8211; As carnes, o peito alto&#8230;. Ali\u00e1s, est\u00e1 no r\u00f3tulo feito pelo en\u00f3logo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; O livro ou autor favorito.<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-30-at-10.54.22-1024x576.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-6580\" style=\"width:589px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-30-at-10.54.22-1024x576.webp 1024w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-30-at-10.54.22-300x169.webp 300w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-30-at-10.54.22-768x432.webp 768w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-30-at-10.54.22-1536x864.webp 1536w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-30-at-10.54.22-750x422.webp 750w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-30-at-10.54.22-1140x641.webp 1140w, https:\/\/negociosemexame.ao\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-30-at-10.54.22.webp 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pisando as uvas no lagar<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Os autores v\u00e3o variando de \u00e9poca, mas eu posso selecionar, estou muito voltado para os escritores de l\u00edngua espanhola e posso aqui eventualmente citar um poker de livros que me marcaram e autores que me marcaram e que eu ainda hoje os releio que \u00e9 o Vargas Llosa, o Garcia Marques, o Bola\u00f1o, o chileno &nbsp;e o quarto, o espanhol Montalb\u00e1n.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Uma palavra ou express\u00e3o que descreve Mo\u00e7\u00e2medes.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Capital do vinho. Futura. Eu j\u00e1 lancei esse mote.&nbsp; \u00c9 uma coisa engra\u00e7ada. Por acaso esqueci-me de falar sobre isso. Eu tentei lan\u00e7ar um movimento de sensibiliza\u00e7\u00e3o para os agricultores ali para tamb\u00e9m se dedicarem ao vinho. Sabe qual foi o resultado? Zero. Sabe porqu\u00ea? Porque eles cultivam o tomate que plantam hoje e daqui a tr\u00eas meses d\u00e1 dinheiro, o vinho n\u00e3o. Eu percebo. Mas n\u00e3o consegui sensibilizar ningu\u00e9m. Inclusive ofereci a tecnologia, eu disse &#8220;eu formo as pessoas&#8221;. E mais, disse-lhes &#8220;eu compro-vos as uvas para fazer vinho na adega&#8230;&#8221; E eu tamb\u00e9m tive cuidado de sublinhar, quando lancei esse mote de Mo\u00e7amedes capital do vinho, vinho de qualidade. N\u00f3s n\u00e3o temos \u00e1reas extensas para ser de quantidade. Frisei isso. Para mim, Mo\u00e7amedes poderia ser a capital do vinho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; M\u00fasica que nunca falta na sua playlist.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Jazz, jazz, jazz e dentro do jazz aquilo que eu mais gosto \u00e9 Miles Davis e como cantora \u00e9 a Billie Holiday. S\u00e3o as minhas paix\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; O maior desafio que j\u00e1 enfrentou como viticultor.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM <\/strong>&#8211; A fraca produtividade. E que ainda enfrento. Melhoramos um bocadinho, mas ainda longe daquilo que podemos atingir.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Um sonho ainda por realizar.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Tornar Mo\u00e7amedes capital do vinho. Ajudar a tornar Mo\u00e7amedes a capital do vinho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&#8211; Se tivesse de brindar agora brindaria a qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; Brindaria a um futuro de Angola pr\u00f3spero.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; O Namibe \u00e9 uma regi\u00e3o tur\u00edstica&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PM<\/strong> &#8211; N\u00f3s ainda n\u00e3o temos o enoturismo institucionalizado, mas temos j\u00e1 a\u00ed uma m\u00e9dia de mais de 30 visitas. Inclusive at\u00e9 h\u00e1 caravanas que pedem para acampar l\u00e1. Temos espa\u00e7o para acampar, temos \u00e1gua e temos luz, temos um PT, temos luz e \u00e1gua da rede. Eles v\u00e3o l\u00e1 com os carros e com aquelas tubagens com que depois se fazem as liga\u00e7\u00f5es. O Raid Cacimbo j\u00e1 passou duas vezes. Este ano quero come\u00e7ar a contabilizar as visitas. Porque tamb\u00e9m \u00e9 uma aposta que \u00e9 arranjar ali uns jangos e assim umas coisas engra\u00e7adas aonde vamos provar os nossos vinhos eventualmente depois a \u00e1gua ardente e o vinho branco e aonde vamos tamb\u00e9m apresentar uma coisa que diz muito bem com o vinho que s\u00e3o os queijos do Lubango. O Brechet faz aqueles queijos com bastante qualidade, ao fim ao cabo s\u00e3o produtos da terra, de qualidade, e vamos tamb\u00e9m eventualmente oferecer e vender mesmo ali aos turistas. Ele agora dedica-se a uma agricultura biol\u00f3gica de qualidade. Ele tem aqui em Luanda uma loja junto ao liceu feminino. Chama-se Chalet.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O vinho \u00e9 mais do que uma bebida: \u00e9 mem\u00f3ria l\u00edquida, \u00e9 terra transformada em sabor. O vinho tinto Vale do Bero nasce no cora\u00e7\u00e3o do Namibe para provar que Angola pode brindar com orgulho ao que \u00e9 seu. 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