{"id":4083,"date":"2025-12-30T13:37:22","date_gmt":"2025-12-30T13:37:22","guid":{"rendered":"https:\/\/negociosemexame.ao\/?p=4083"},"modified":"2025-12-30T13:47:23","modified_gmt":"2025-12-30T13:47:23","slug":"so-o-lucro-ja-nao-basta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/negociosemexame.ao\/index.php\/2025\/12\/30\/so-o-lucro-ja-nao-basta\/","title":{"rendered":"S\u00f3 o lucro j\u00e1 n\u00e3o basta"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por: Miguel Portela*<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante muito tempo, o lucro foi tratado como o principal term\u00f3metro do sucesso empresarial. Contudo, no contexto econ\u00f3mico actual, essa vis\u00e3o revela-se limitada. Ser lucrativo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9, por si s\u00f3, sin\u00f3nimo de viabilidade. Para que uma empresa se mantenha saud\u00e1vel, imp\u00f5e-se que a taxa de retorno dos seus activos cubra, pelo menos, o respectivo custo de capital.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o basta analisar apenas as margens obtidas (lucro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vendas) para avaliar a lucratividade. \u00c9 igualmente necess\u00e1rio considerar o lucro em fun\u00e7\u00e3o do total dos activos, por forma a aferir a efici\u00eancia com que os recursos s\u00e3o utilizados.<\/p>\n\n\n\n<p>O capital aportado pelos accionistas, somado \u00e0 reten\u00e7\u00e3o dos lucros gerados pela empresa, constitui o chamado capital de risco. Embora o capital pr\u00f3prio n\u00e3o origine um custo expl\u00edcito reflectido na Demonstra\u00e7\u00e3o de Resultados do Exerc\u00edcio, ele acarreta um custo impl\u00edcito, correspondente \u00e0 taxa de retorno exigida pelos detentores desse capital (accionistas e investidores).<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que a Lei das Sociedades Comerciais em Angola preveja a figura dos juros sobre o capital pr\u00f3prio, que surge em algumas demonstra\u00e7\u00f5es de resultados, tal indicador est\u00e1 longe de constituir a medida mais adequada para determinar o verdadeiro custo de oportunidade dos accionistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando as expectativas de rentabilidade n\u00e3o s\u00e3o satisfeitas, o desinteresse torna-se inevit\u00e1vel. A confian\u00e7a e o capital retraem-se. Afinal, nenhum investidor permanece num neg\u00f3cio que n\u00e3o remunera de forma justa o risco que assumiu ao financi\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 neste contexto que emerge o conceito de Custo do Capital Pr\u00f3prio (Ke \u2013 Cost of Equity), uma m\u00e9trica que expressa o retorno m\u00ednimo exigido pelos accionistas. Calculado com base no modelo CAPM, o Ke reflecte a taxa b\u00e1sica de juros do mercado ajustada ao risco do sector e da pr\u00f3pria empresa. Em termos simples, indica o limiar a partir do qual a empresa come\u00e7a, efectivamente, a criar valor.<\/p>\n\n\n\n<p>Empresas mais arriscadas, com resultados vol\u00e1teis e fluxos de caixa inst\u00e1veis, enfrentam naturalmente um custo de capital mais elevado. O mercado \u00e9 implac\u00e1vel com o risco: quanto maior a incerteza, maior a exig\u00eancia de retorno.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o objectivo primordial de uma empresa seja a gera\u00e7\u00e3o de lucros, \u00e9 poss\u00edvel que uma organiza\u00e7\u00e3o, mesmo sendo lucrativa, apresente fragilidades financeiras. Tal ocorre porque o lucro contabil\u00edstico assenta, muitas vezes, em receitas ainda n\u00e3o realizadas e em despesas sem impacto imediato no fluxo de caixa (como provis\u00f5es, deprecia\u00e7\u00e3o e amortiza\u00e7\u00e3o), bem como em encargos que podem ainda n\u00e3o ter sido efectivamente desembolsados. Assim, o lucro, isoladamente, n\u00e3o garante a sustentabilidade financeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Deste modo, conclui-se que, actualmente, o mais relevante n\u00e3o \u00e9 apenas maximizar o lucro, mas sim optimizar o valor presente dos fluxos de caixa futuros gerados pela empresa \u2013 o seu valor intr\u00ednseco \u2013, em articula\u00e7\u00e3o com um custo de capital que represente a remunera\u00e7\u00e3o m\u00ednima capaz de viabilizar economicamente o investimento, compensando o custo de oportunidade do capital aplicado.<\/p>\n\n\n\n<p>Importa ainda sublinhar que a continuidade e o crescimento das empresas transcendem a l\u00f3gica estritamente financeira, permitindo o cumprimento de importantes objectivos sociais, tais como a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades b\u00e1sicas da popula\u00e7\u00e3o, a dinamiza\u00e7\u00e3o do consumo, a cria\u00e7\u00e3o de emprego, o pagamento de impostos e demais responsabilidades tribut\u00e1rias e ambientais, assim como a gera\u00e7\u00e3o de divisas, no caso das empresas exportadoras, entre outros contributos relevantes para o desenvolvimento econ\u00f3mico e social.<\/p>\n\n\n\n<p>*<em> T\u00e9cnico do Instituto de Gest\u00e3o de Activos e Participa\u00e7\u00f5es do Estado<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Miguel Portela* Durante muito tempo, o lucro foi tratado como o principal term\u00f3metro do sucesso empresarial. 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