{"id":2554,"date":"2025-06-23T11:42:01","date_gmt":"2025-06-23T11:42:01","guid":{"rendered":"https:\/\/negociosemexame.ao\/?p=2554"},"modified":"2025-06-23T12:14:56","modified_gmt":"2025-06-23T12:14:56","slug":"investimento-estrangeiro-directo-cai-para-o-nivel-mais-baixo-desde-2005","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/negociosemexame.ao\/index.php\/2025\/06\/23\/investimento-estrangeiro-directo-cai-para-o-nivel-mais-baixo-desde-2005\/","title":{"rendered":"Investimento estrangeiro directo cai para o n\u00edvel mais baixo desde 2005"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Uma nova pesquisa do Banco Mundial mostra que o fluxo de investimento estrangeiro directo (IED) para economias em desenvolvimento \u2014 um importante propulsor do crescimento econ\u00f3mico e de eleva\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o de vida \u2014 caiu para o n\u00edvel mais baixo desde 2005 em meio ao aumento das barreiras comerciais e de investimento. Essas barreiras representam uma amea\u00e7a significativa aos esfor\u00e7os globais para mobilizar financiamento para o desenvolvimento.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Redac\u00e7\u00e3<\/strong>o*<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023, o \u00faltimo ano para o qual h\u00e1 dados dispon\u00edveis, as economias em desenvolvimento receberam apenas US$ 435 mil milh\u00f5es em IED \u2014 o n\u00edvel mais baixo desde 2005. O que coincide com uma tend\u00eancia global na qual o fluxo de IED para economias avan\u00e7adas tamb\u00e9m foi reduzido a quase nada: economias de alta renda receberam apenas US$ 336 mil milh\u00f5es em 2023, o menor n\u00edvel desde 1996. Como parcela do PIB, o fluxo de IED nas economias em desenvolvimento em 2023 foi de apenas 2,3%, cerca de metade do n\u00famero registado no ano de pico de 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que estamos a assistir \u00e9 resultado de pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d,&nbsp;<strong>disse Indermit Gill, economista-chefe e vice-presidente s\u00e9nior do Grupo Banco Mundial.<\/strong>&nbsp;\u201cN\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que o IED esteja atingindo novos n\u00edveis m\u00ednimos ao mesmo tempo em que a d\u00edvida p\u00fablica est\u00e1 atingindo n\u00edveis recorde. O investimento privado agora ter\u00e1 que impulsionar o crescimento econ\u00f3mico, e o IED \u00e9 uma das formas mais produtivas de investimento privado. No entanto, nos \u00faltimos anos, os governos t\u00eam se ocupado em erguer barreiras ao investimento e ao com\u00e9rcio quando deveriam estar deliberadamente removendo-as. Eles ter\u00e3o que abandonar esse mau h\u00e1bito.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>De<a href=\"https:\/\/financing.desa.un.org\/ffd4\">&nbsp;30 de junho a 3 de julho<\/a>, representantes de governos, institui\u00e7\u00f5es internacionais, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e do sector privado devem reunir-se em Sevilha, Espanha, para discutir como mobilizar o financiamento necess\u00e1rio para atingir as principais metas globais e nacionais de desenvolvimento. A nova an\u00e1lise do Banco Mundial destaca as pol\u00edticas necess\u00e1rias para atingir essas metas em um momento em que o crescimento econ\u00f3mico est\u00e1 muito desacelerado, a d\u00edvida p\u00fablica atingiu n\u00edveis recorde de alta e a verba para ajuda externa encolheu. Reduzir as restri\u00e7\u00f5es ao investimento ser\u00e1 um primeiro passo fundamental: at\u00e9 agora em 2025, metade de todas as medidas relacionadas ao IED anunciadas pelos governos em economias em desenvolvimento foram restritivas \u2014 o maior n\u00famero desde 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom a comunidade global preparando-se para a Confer\u00eancia sobre Financiamento para o Desenvolvimento, a queda acentuada do IED em economias em desenvolvimento deve fazer soar o alarme\u201d,&nbsp;<strong>disse M. Ayhan Kose, economista-chefe adjunto e diretor do Grupo de Perspectivas do Grupo Banco Mundial.<\/strong>&nbsp;\u201cReverter essa desacelera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas um imperativo econ\u00f3mico \u2014 \u00e9 essencial para a cria\u00e7\u00e3o de empregos, o crescimento sustentado e a obten\u00e7\u00e3o de objetivos de desenvolvimento mais amplos. Ser\u00e3o necess\u00e1rias reformas dom\u00e9sticas ousadas para melhorar o clima de neg\u00f3cios, e uma coopera\u00e7\u00e3o global decisiva para reavivar o investimento transfronteiri\u00e7o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise conclui que os tratados de investimento tendem a aumentar os fluxos de IED entre os estados signat\u00e1rios em mais de 40%. Entre 2010 e 2024, apenas 380 novos tratados de investimento entraram em vigor, pouco mais de um ter\u00e7o do n\u00famero da d\u00e9cada de 1990. Da mesma forma, o relat\u00f3rio conclui que os pa\u00edses mais abertos ao com\u00e9rcio tendem a receber mais IED \u2014 um aumento de 0,6% em IED para cada ponto percentual de aumento na raz\u00e3o entre com\u00e9rcio e PIB. No entanto, o n\u00famero de novos acordos comerciais assinados na \u00faltima d\u00e9cada caiu pela metade \u2014 de uma m\u00e9dia de 11 por ano na d\u00e9cada de 2010 para apenas seis na d\u00e9cada de 2020.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023, o IED representou cerca de metade do fluxo de financiamento externo recebido pelas economias em desenvolvimento. Nas condi\u00e7\u00f5es certas, ele \u00e9 um forte est\u00edmulo ao crescimento econ\u00f4mico: a an\u00e1lise de dados de 74 economias em desenvolvimento entre 1995 e 2019 sugere que um aumento de 10% no fluxo de IED gera um aumento de 0,3% no PIB real ap\u00f3s tr\u00eas anos. O impacto \u00e9 quase tr\u00eas vezes maior \u2014 at\u00e9 0,8% \u2014 em pa\u00edses com institui\u00e7\u00f5es mais fortes, melhor capital humano, maior abertura ao com\u00e9rcio e menos informalidade. Da mesma forma, o efeito do aumento do IED \u00e9 muito menor em pa\u00edses que n\u00e3o possuem tais caracter\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p>O IED tende a se concentrar nas maiores economias. Entre 2012 e 2023, cerca de dois ter\u00e7os dos fluxos de IED para economias em desenvolvimento foram direcionados para apenas 10 pa\u00edses, com a China recebendo quase um ter\u00e7o do total e o Brasil e a \u00cdndia recebendo cerca de 10% e 6%, respectivamente. Os 26 pa\u00edses mais pobres receberam apenas 2% do total. Al\u00e9m disso, as economias avan\u00e7adas foram respons\u00e1veis por quase 90% do IED total nas economias em desenvolvimento na \u00faltima d\u00e9cada. Cerca de metade veio de apenas duas fontes: a Uni\u00e3o Europeia e os Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio identifica tr\u00eas prioridades pol\u00edticas para economias em desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, redobrar esfor\u00e7os para atrair o IED. Aliviar as restri\u00e7\u00f5es ao IED que se acumularam na \u00faltima d\u00e9cada seria um bom come\u00e7o. O mesmo aconteceria com a acelera\u00e7\u00e3o das melhorias no clima de investimentos, que estagnaram em muitos pa\u00edses na \u00faltima d\u00e9cada. Segundo a an\u00e1lise, bons resultados macroecon\u00f3micos \u2014 crescimento saud\u00e1vel e aumento da produtividade do trabalho \u2014 tamb\u00e9m ajudam a acelerar o fluxo de IED. Um aumento de 1% na produtividade do trabalho de um pa\u00eds, por exemplo, est\u00e1 associado a um aumento de 0,7% nos ingressos de IED.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo, ampliar os benef\u00edcios econ\u00f3micos do IED. Promover a integra\u00e7\u00e3o comercial, melhorar a qualidade das institui\u00e7\u00f5es, fomentar o desenvolvimento do capital humano e incentivar mais pessoas a participar da economia formal aumentam os benef\u00edcios do IED. Os governos tamb\u00e9m podem ampliar os benef\u00edcios canalizando o IED para setores de maior impacto. O IED pode ajudar ainda a aumentar as oportunidades de emprego para mulheres: as filiais locais de empresas multinacionais, por exemplo, tendem a ter uma propor\u00e7\u00e3o maior de funcion\u00e1rias do que as empresas nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Terceiro, promover a coopera\u00e7\u00e3o global. Todos os pa\u00edses devem trabalhar juntos para acelerar iniciativas pol\u00edticas que possam ajudar a direcionar fluxos de IED para as economias em desenvolvimento que t\u00eam as maiores lacunas de investimento. Especialmente em um momento de altas tens\u00f5es geopol\u00edticas, o Banco Mundial e outras institui\u00e7\u00f5es internacionais t\u00eam um papel crucial a desempenhar no apoio a uma ordem baseada em regras. \u00c9 fundamental oferecer assist\u00eancia t\u00e9cnica e financeira para apoiar esfor\u00e7os de reforma estrutural nos pa\u00edses em desenvolvimento \u2014 especialmente nos pa\u00edses de baixa renda \u2014 para facilitar os fluxos de IED. O Grupo Banco Mundial, o maior banco de desenvolvimento do mundo, est\u00e1 desempenhando um papel fundamental na mobiliza\u00e7\u00e3o de capital privado, criando instrumentos que reduzem os riscos financeiros para os investidores, ajudando a melhorar as condi\u00e7\u00f5es de mercado nas economias em desenvolvimento e ampliando seu envolvimento com o setor privado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-small-font-size\">*Este artigo baseia-se no sum\u00e1rio executivo do relat\u00f3rio do Banco Mundial elaborado por Amat Adarov e Hayley Palin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Sobre os Autores:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">A<strong>mat Adarov<\/strong>\u00a0\u00e9 economista s\u00eanior do Grupo de Perspetivas do Grupo Banco Mundial. Anteriormente trabalhou no Instituto de Estudos Econ\u00f3micos Internacionais de Viena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Hayley Pallan<\/strong>\u00a0\u00e9 economista do Grupo de Perspetivas do Grupo Banco Mundial. Anteriormente estudou no Instituto de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o de Estudos Internacionais e de Desenvolvimento em Genebra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma nova pesquisa do Banco Mundial mostra que o fluxo de investimento estrangeiro directo (IED) para economias em desenvolvimento \u2014 um importante propulsor do crescimento econ\u00f3mico e de eleva\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o de vida \u2014 caiu para o n\u00edvel mais baixo desde 2005 em meio ao aumento das barreiras comerciais e de investimento. 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