O Brasil, prevê a implementação de projectos de produção em larga escala de grãos, cereais, leguminosas e suínos, em Angola, uma intenção manifestada nesta terça-feira, em Luanda, durante o encontro do ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Henriques Baqueta Fávaro com o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.
A informação foi avançada aos órgãos de comunicação social no final do encontro mantido à porta fechada, em que participaram os ministros da Agricultura e Florestas de Angola, Isaac dos Anjos, e das Finanças, Vera Daves de Sousa.
Carlos Fávaro considerou o encontro “um passo importante” entre os dois países no domínio da produção de alimentos, tendo sido apresentada a proposta sobre os investimentos e transferência de tecnologias dos produtores e empresários, auxiliados pelo governo brasileiro, com vista a tornar Angola num dos maiores fornecedores de alimentos à escala mundial.
O governante brasileiro exaltou o potencial dos solos angolanos, tendo sido já identificadas as áreas em que se vai começar a produzir, atentando a hipótese de Angola se tornar num “player” relevante no comércio internacional, à semelhança do Brasil.
“O passo brasileiro foi dado, agora vamos organizar uma agenda no Brasil para que o governo angolano possa levar as suas considerações, de modo a que os bancos de investimento brasileiros e angolanos, os fundos de garantia e os produtores possam chegar a um consenso para que, a partir de Março, todos os trâmites estejam superados para que as operações possam iniciar”, disse.
As semelhanças climáticas e dos solos é determinante porque permitem antever excelentes resultados em pouco tempo, contra os cerca de 52 anos que o Brasil precisou para hoje ser um grande produtor de alimentos a nível mundial.
O ministro brasileiro recordou que a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agro-pecuária (Embrapa), que se tornou a maior empresa de pesquisa agro-pecuária tropical do mundo, foi um passo importante, razão pela qual já existem quatro grandes grupos brasileiros que identificaram áreas e oportunidades em Angola.
“Trouxemos uma proposta financeira estruturante para financiar esses investimentos. O Brasil está disposto a fazer os investimentos, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES), o Banco do Brasil, através da sua linha de crédito à exportação”, enfatizou.
Sem avançar valores , Fávaro referiu que o projecto contempla a construção de armazéns, irrigação, investimentos em estradas, ferrovias e outras infra-estruturas essenciais, mas há também necessidade de investimentos em equipamentos e máquinas.
O secretário de Estado para as Florestas, João Manuel Cunha, disse, que o Governo já disponibilizou cerca de 20 mil hectares, aguardando apenas a cedência dos terrenos para o arranque do projecto.









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