O investimento angolano no estrangeiro registou ganhos de 148,7 milhões de dólares em 2024, um sinal de crescimento e internacionalização do capital nacional.
“Nunca houve tanto dinheiro de investidores angolanos aplicado fora do país”, afirmam especialistas.
Apesar deste crescimento expressivo, os números revelam um desequilíbrio estrutural significativo na balança de rendimentos do investimento.
Os lucros expatriados por empresas estrangeiras a operar em Angola são cerca de 15 vezes superiores aos montantes que os investidores nacionais conseguem repatriar para o país.
O contraste evidencia a forte dependência do país do investimento estrangeiro directo e a reduzida capacidade de retorno do capital angolano aplicado fora de fronteiras. Enquanto multinacionais a operar em sectores estratégicos como petróleo, banca, telecomunicações e mineração continuam a transferir elevados volumes de lucros para os seus países de origem, os rendimentos externos dos investidores nacionais permanecem limitados no seu impacto macroeconómico.
Especialistas apontam que este desequilíbrio resulta de vários factores, incluindo a dimensão ainda reduzida dos investimentos angolanos no exterior, a concentração em mercados de menor rentabilidade e a ausência de uma estratégia integrada de internacionalização empresarial com foco no retorno e na repatriação de capitais.
Ao mesmo tempo, os dados reacendem o debate sobre a necessidade de políticas públicas que incentivem o reinvestimento interno, promovam a retenção de valor no país e criem melhores condições para que os investidores nacionais possam competir em mercados externos mais dinâmicos.
Embora o desempenho agora alcançado represente um sinal positivo de maturação do sector empresarial angolano, analistas sublinham que o desafio central continua a ser transformar o investimento externo em ganhos efectivos para a economia nacional, reduzindo a assimetria face aos fluxos financeiros que saem do país.









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