O estadista apelou para o fortalecimento do sector privado e maior investimento na educação, para reduzir o analfabetismo e integrar as crianças que estão fora do sistema de ensino.
“Precisamos trabalhar mais e criar a consciência de que o progresso e o desenvolvimento não resultam apenas da acção dos governos, mas, sim, do esforço colectivo e conjugado”.
O também presidente em exercício da União Africana assinalou a importância do Corredor do Lobito como projecto que no seu entender vai desempenhar um papel decisivo no desenvolvimento, integração da região e tornar a economia nacional mais robusta.
João Lourenço disse olhar com apreensão para a banalização da vida humana, em guerras e conflitos em várias regiões, perante a impotência da Organização das Nações Unidas (ONU)para ajudar a impor a ordem e fazer face aos excessos das grandes potências e impedir a violação das normas do Direito Internacional e das que regem as relações entre Estados.
Por isso, defendeu o multilateralismo, como único modelo inclusivo capaz de congregar as nações, ao insistir na necessidade da reforma da ONU, em particular do seu Conselho de Segurança, por não reflectir o equilíbrio de poderes e da configuração geopolítica mundial.
Enfatizou a sensibilidade do país à guerra, à paz, à liberdade e à independência dos povos, por ter passado por essa experiência e vivido várias décadas em conflito.
“Mal tínhamos acabado de vencer o colonialismo português, que nos oprimiu e escravizou durante séculos, tivemos de imediato que enfrentar o regime retrógrado do ‘apartheid’, que representava uma ameaça permanente aos povos da África Austral.
Assente na ideia da superioridade de uma raça sobre outra e no segregacionismo como modelo de sociedade, lembrou o risco do País, ser colonizada duas vezes num tão curto espaço de tempo. Neste percurso, Angola esteve ao lado da Namíbia, do Zimbabué e da África do Sul, contribuindo para o fim do regime de segregação racial.

No seu discurso o presidente advogou pelo fim da guerra contra a Ucrânia e a resolução do conflito no Médio Oriente e a criação do Estado da Palestina.
A questão das mudanças climáticas está no centro das atenções, e Angola tem procurado contribuir com acções que ajudem a mitigar os seus efeitos, apostando na produção de energias limpas, reforçou o Presidente da Pepública.
Ainda na qualidade de Presidente da União Áfricana, manifestou preocupação com a situação no Sahel, no Sudão e na República Democrática do Congo (RDC), revelando-se contra os golpes de Estado e das mudanças inconstitucionais em África.
“Estamos preocupados com o reaparecimento e a proliferação de grupos terroristas em determinados pontos do nosso planeta e de África em particular”, deplorou.
Convidados e mensagens
Cerca de 10 mil convidados e 45 delegações estrangeiras assistiram ao acto central das comemorações do 50.º aniversário da independência de Angola, em que participaram as 21 províncias e 45 representações estrangeiras incluindo mais de 300 jornalistas.
O desfile cívico reuniu cerca de seis mil participantes, seguindo-se um desfile militar, com quatro mil efectivos das Forças Armadas Angolanas e da Polícia Nacional, que encerrou com a apresentação da música oficial dos 50 anos. A cerimónia incluiu ainda a condecoração póstuma com a Medalha de Honra ao presidente Agostinho Neto, proclamador da independência nacional e primeiro chefe de Estado angolano.

Esta terça-feira foi o culminar de um ano de comemorações que, para além de Agostinho Neto, lembraram os contributos de Holden Roberto e Jonas Savimbi.
Numa mensagem dirigida ao homólogo angolano, o Presidente dos Estados Unidos da America (USA) Donald Trump apresentou felicitações pela efeméride, referindo que “a nação se ergue como líder regional, promovendo a prosperidade, a paz e os esforços de reconciliação em África”.
Considerou ser uma história da qual os fundadores se orgulhariam, lê-se, reiterando o contínuo apoio dos EUA, referindo o esforço do País em expandir o comércio regional e a integração económica, através do Corredor do Lobito.
Por sua vez, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, congratulou-se com o marco histórico, esperando uma parceria cada vez mais forte com a União Europeia (UE), assinalando o início de uma nova era de esperança para o povo.
“Enquanto nos preparamos para nos reunirmos em Luanda para a Cimeira UE-União Africana em Novembro deste ano, prestamos homenagem a este marco histórico e celebramos uma parceria cada vez mais forte”, escreveu na sua rede social facebook.
Após a última cimeira União Europeia-União Africana se ter realizado em meados de 2022, em Bruxelas, o novo encontro de alto nível realiza-se em Luanda a 24 e 25 de novembro.
O embaixador de Portugal em Angola, Francisco Alegre Duarte, sublinhou que os dois países foram capazes de construir uma relação assente na igualdade e no respeito mútuo.
“Fechamos o ciclo das comemorações interligadas dos 50 anos do 25 de Abril e da Independência de Angola. Não obstante o passado colonial, a guerra e toda a turbulência que se seguiu à independência. Devemos estar orgulhosos deste percurso”, afirmou o diplomata, durante um encontro com a comunidade portuguesa.
Francisco Alegre Duarte destacou a proximidade e a compreensão do significado da presença do Presidente de Portugal em Angola, onde tomou parte na cerimónia das comemorações.
Esta visita constituiu um momento significativo na estreita cooperação e profunda amizade entre os dois países, destaca o site oficial da Presidência portuguesa.
Marcelo Rebelo de Sousa esteve acompanhado pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, e por um deputado de cada grupo parlamentar da Assembleia da República.









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