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Cereais no centro do furacão

Por Filipe Sá
17 de Junho, 2025
em Economia, Mundo
Produção de arroz aumenta para 50 mil toneladas em dois anos

Um olhar pelas notícias internacionais, pelas agendas das conferências e encontros de todo o tipo e em vários locais, de organizações internacionais, sejam eles de carácter diplomático, político ou económico, ou mesmo quando não directamente relacionados com o tema, os cereais são um elemento quase sempre presente. Os cereais têm estado no centro dos conflitos internacionais mais perturbadores da era contemporânea, com destaque para a invasão da Ucrânia pela Rússia – ou pela escassez devido à devastação da guerra ou pelas consequências dessa escassez a nível global.

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A Rússia e a Ucrânia são grandes fornecedores de trigo, cevada, óleo de girassol e outros produtos alimentares a preços acessíveis de que dependem a África, o Médio Oriente e partes da Ásia. A Ucrânia é também um grande exportador de milho e a Rússia de fertilizantes – outras partes essenciais da cadeia alimentar.

A interrupção dos carregamentos da Ucrânia, na sequência da invasão russa, agudizou uma crise alimentar global e fez disparar os preços dos cereais em todo o mundo.

Entre Julho de 2022 e Julho de 2023 esteve em vigor um acordo entre as Nações Unidas, a Turquia e a Rússia para permitir as exportações, através de um corredor humanitário marítimo seguro no mar Negro, para várias regiões do mundo onde milhões de pessoas passam fome.  Mais de 1 000 navios cheios de cereais e outros produtos alimentares saíram da Ucrânia a partir de três portos ucranianos (Chornomorsk, Odessa e Yuzhny/Pivdennyi) durante a implementação da Iniciativa que permitiu que 32,9 milhões de toneladas métricas (36,2 de toneladas) de alimentos fossem exportados da Ucrânia, mais de metade para países em desenvolvimento, de acordo com o Centro de Coordenação Conjunto em Istambul.

De assinalar que a reabertura destes três portos ucranianos, em plenas sanções ocidentais, e que estiveram bloqueados durante três meses, se deveu à assinatura de acordos separados entre a Ucrânia e a Rússia, em Julho de 2022, facilitando assim as movimentações de alimentos e fertilizantes.

O acordo ajudou a baixar os preços globais de produtos alimentares, como o trigo, que atingiram níveis sem precedentes na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia, a 2 de Fevereiro de 2022. Após o acordo sobre os cereais, o Programa Alimentar Mundial (PAM) voltou a ser um dos principais fornecedores, permitindo que 725 000 toneladas de ajuda alimentar deixassem a Ucrânia e chegassem a países à beira da fome, incluindo a Etiópia, o Afeganistão e o Iémen.

Entretanto, em 17 de Julho de 2023, a Rússia anunciou a sua decisão de pôr termo à Iniciativa dos Cereais do Mar Negro (ICMN), provocando uma subida acentuada dos preços do trigo, equivalente a 3%, em alguns mercados, com impacto no plano internacional.

“Tábua de salvação”

A Rússia justificou o abandono do acordo afirmando que pretende pôr termo às sanções impostas ao Banco Agrícola Russo e às restrições em matéria de transporte marítimo e de seguros que, segundo Moscovo, têm prejudicado as suas exportações agrícolas. Algumas empresas receavam (e receiam) fazer negócios com a Rússia devido às sanções, mas os aliados ocidentais garantiram que os alimentos e os fertilizantes estão isentos.

Simon Evenett, professor de Comércio Internacional e Desenvolvimento Económico na Universidade de Saint Gallen, na Suiça, referindo-se a isto, afirmou que “não é raro, em situações como esta, as partes utilizarem todas as alavancas que têm para tentar alterar os regimes de sanções.”

Por sua vez, Caitlin Welsh, directora do Programa do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais, considerou que “as alegações russas de que o sector agrícola está a sofrer são contrariadas pela realidade” de que a produção e as exportações aumentaram desde antes da guerra.

A Rússia exportou um recorde de 45,5 milhões de toneladas métricas de trigo, no ano comercial de 2022-2023, com outro recorde histórico de 47,5 milhões de toneladas métricas previsto para 2023-2024, segundo estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. 

Feitas as contas, o acordo de cereais, segundo o Comité Internacional de Resgate, representou uma “tábua de salvação para os 79 países e 349 milhões de pessoas na linha da frente da insegurança alimentar.” 

As consequências da pandemia, os conflitos, as crises económicas, a seca e outros factores climáticos afectam a capacidade das pessoas de obterem o suficiente para comer. Há 45 países que necessitam de assistência alimentar, segundo a Organização para a Alimentação e agricultura (FAO) num relatório de Julho de 2023. Os elevados preços dos alimentos no mercado interno estão a provocar fome na maioria desses países, incluindo o Haiti, a Ucrânia, a Venezuela e vários em África e na Ásia.

Embora a seca também possa ser um problema para os principais fornecedores de cereais, os analistas veem outros países a produzir cereais suficientes para contrabalançar as perdas da Ucrânia.

Além das exportações da Rússia, a Europa e a Argentina estão a aumentar os envios de trigo, enquanto o Brasil registou um ano de grande sucesso para o milho. Outros mercados adaptam-se e os produtores adaptam-se.

Um problema de todos: a escassez de cereais

Segundo o Conselho da União Europeia, em Julho de 2023, já se contabilizavam 33 milhões de toneladas de cereais e outros produtos alimentares, por intermédio da Iniciativa dos Cereais do Mar Negro. Dessa carga, mais de 50% era milho, o cereal mais afectado por bloqueios nos celeiros ucranianos no início da guerra. Impunha-se a sua rápida transferência para libertar espaço para o trigo proveniente da colheita de Verão. Além do milho a Iniciativa registou 27% de trigo, 11% de produtos derivados do girassol e 10% de outros produtos.

Do trigo exportado através da ICMN, 65% chegou a países em desenvolvimento. O milho foi exportado em proporção praticamente idêntica para os países desenvolvidos (49%) e os países em desenvolvimento (51%).

O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas (PAM – a maior organização humanitária do mundo) também expediu trigo dos portos do Mar Negro. Em Julho de 2023, o programa tinha adquirido 80% das suas existências cerealíferas à Ucrânia, face a 50% antes da guerra. Mais de 725 000 toneladas de trigo deixaram os portos ucranianos em direcção à Etópia, ao Iémen, ao Afeganistão, ao Sudão, à Somália, ao Quénia e ao Djibuti durante a implementação da Iniciativa.

O trigo exportado para países em desenvolvimento representou 17,6 % do total das exportações de cereais, enquanto o trigo enviado para países desenvolvidos representou 9,5 %. O milho exportado para países em desenvolvimento representou 26,4 % do total das exportações de cereais, enquanto o milho enviado para países desenvolvidos representou 24,5 %. Os produtos derivados do girassol exportados para países em desenvolvimento representaram 9,2 % do total das exportações de cereais; para países desenvolvidos o valor foi de 2,2 %.

De momento, a balança da produção cerealífera tende para os países desenvolvidos, com a União Europeia como um dos principais produtores e exportadores mundiais de trigo. De acordo com dados do Conselho Europeu, estima-se que a UE tenha exportando 31 milhões de toneladas de trigo na perído de 2022-2023, figurando entre os países de destino a Argélia, Marrocos, o Egipto, o Paquistão e a Nigéria.

 A invasão da Ucrânia pela Rússia provocou um aumento significativo dos preços dos produtos alimentares nos mercados mundiais. Os preços dos cereais aumentaram de forma particularmente acentuada.Tanto os corredores solidários (rotas criadas pela UE para ajudar a Ucrânia a exportar, entre outros, os seus produtos agrícolas) como a Iniciativa dos Cereais do Mar Negro contribuíram claramente para a redução dos preços.

A importância dos cereais é reafirmada, pela sua evidente ligação a um leque de sectores que passando pela segurança alimentar, influenciam as relações internacionais a todos os níveis. Deste modo, não deixa dúvidas o significado da declaração do Conselho Europeu de que “manter o fluxo de cereais ucranianos continua a ser crucial para garantir a segurança alimentar mundial.”

Tags: EconomiaEdições Especiais

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