Presidente angolano defende reforma das Nações Unidas, critica sanções unilaterais e pede maior representatividade para África no Conselho de Segurança.
O Presidente angolano, João Lourenço, usou a tribuna das Nações Unidas para defender uma reforma profunda da organização e alertar para os riscos de uma conjuntura internacional marcada por conflitos, sanções unilaterais e violações da soberania dos Estados.
O Chefe de Estado angolano centrou a sua intervenção na necessidade de revitalizar o multilateralismo, proteger as economias mais vulneráveis e restaurar a autoridade do sistema internacional.

Apelo à coerência das grandes potências
Num discurso de forte pendor político e diplomático, João Lourenço afirmou que o actual contexto mundial exige dos Estados-Membros uma reflexão séria sobre o papel das instituições internacionais.
Para o Presidente angolano, as grandes potências que, no passado, contribuíram para a derrota do nazismo, do fascismo e do apartheid devem permanecer fiéis aos princípios que ajudaram a afirmar, evitando práticas que comprometam a paz, a estabilidade e o direito internacional.
O Chefe de Estado manifestou preocupação com actos de agressão contra países soberanos, invasões, anexações territoriais e interferências nos assuntos internos de outros Estados. Na sua perspectiva, precedentes dessa natureza enfraquecem a autoridade moral das organizações regionais, continentais e globais, dificultando a capacidade de exigir o respeito pela Carta das Nações Unidas e pelas normas do direito internacional.
África e os custos da instabilidade
Ao abordar a realidade africana, João Lourenço destacou que os povos do continente, marcados por séculos de colonização, conhecem de forma particular o valor da paz.
Sublinhou que a instabilidade continua a comprometer o desenvolvimento económico e social, sobretudo em contextos onde persistem dificuldades de acesso à alimentação, à água potável, à saúde, à educação e a outros bens essenciais.




