Angola e a República Democrática do Congo deram, esta quarta-feira, em Luanda, um passo considerado estratégico para reduzir custos, encurtar prazos e garantir maior segurança nas transacções comerciais entre os dois países. O avanço resulta da assinatura de um memorando de entendimento entre os respectivos bancos centrais, que prevê a integração dos sistemas de pagamento e o reforço da cooperação financeira bilateral.
Redacção
O memorando, que pretende aproximar sistemas financeiros, foi rubricado pelos governadores dos bancos centrais de Angola e da RDC. De acordo com o governador do Banco Nacional de Angola, Tiago Dias, o memorando procura aproximar as infra-estruturas financeiras dos dois países, promover a estabilidade do sector e aumentar a resiliência dos sistemas de pagamento.
Na prática, as autoridades monetárias pretendem melhorar os pagamentos transfronteiriços e criar condições para que empresas e operadores económicos realizem operações com maior previsibilidade e confiança.
Kwanza passa a ser aceite no sistema regional da SADC
Tiago Dias anunciou também que, a partir deste mês, o Kwanza passa a ser aceite como moeda de pagamento no sistema de compensação e liquidação por bruto da SADC, conhecido como SADC-RTGS.
Segundo o governador do BNA, Angola já reúne as condições necessárias para avançar com esta integração. A RDC deverá, por sua vez, criar mecanismos que permitam a interoperabilidade entre os sistemas de pagamento dos dois países.
Integração poderá impulsionar comércio regional
O Banco Nacional de Angola tem mantido contactos com outros bancos centrais da região, incluindo o da Namíbia, no quadro dos esforços para aproximar os sistemas financeiros da SADC.
A integração dos pagamentos é vista como uma ferramenta para dinamizar o comércio transfronteiriço, reduzir constrangimentos nas operações financeiras e acelerar a integração económica regional.
Banco Central da RDC destaca impacto do Corredor do Lobito
O governador do Banco Central da RDC, André Wameso Nkualokoli, saudou o memorando e considerou que o acordo poderá dar maior sustentabilidade às trocas comerciais entre os dois países.
André Nkualokoli sublinhou que a medida ganha relevância num momento em que projectos estratégicos, como o Corredor do Lobito, deverão aumentar o volume de negócios entre Angola e a RDC. Para o responsável, a actuação antecipada dos bancos centrais representa uma vantagem para as duas economias.




