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45 países carecem de assistência externa urgente

Negocios ExamePor Negocios Exame
14 de Janeiro, 2026
em Mundo

Segundo a Organização para Alimentação (FAO) há uma necessidade premente para assistência alimentar externa em 45 países: 33 em África, nove na Ásia, dois na América Latina e Caraíbas, e um na Europa. As primeiras causas para a insegurança alimentar agudas nestas regiões são os conflitos no Próximo Oriente asiático e na África Ocidental e Oriental, e generalizada condições climáticas de seca na África Austral.

Redacção

A produção de cereais aumentou na África Oriental em 2023, excepto no Sudão, onde o conflito levou a uma diminuição pronunciada, e muitos países na África Ocidental obtiveram colheitas acima da média graças às condições climáticas favoráveis, mas espera-se que o Norte e o Sul de África registem um declínio da produção em 2024 devido à escassez generalizada de chuvas e temperaturas elevadas.

Na Ásia, condições favoráveis para a produção de trigo nos países do Extremo Oriente Asiático deverão conduzir a um resultado elevado, enquanto condições mistas se mantêm nos países do Próximo Oriente Asiático, com muitos a necessitar de chuvas constantes para maiores rendimentos no trigo. É provável que o défice pluviométrico limite os rendimentos na Ásia Central.

Na América Latina e nas Caraíbas, condições climáticas adversas limitaram a produção de milho, embora se espere uma colheita acima da média no Brasil. As produções de milho deverão recuperar na Argentina e no Uruguai em 2024 depois da seca que reduziu as colheitas em 2023.  A violência no Haiti reduziu a produção agrícola, e as condições de seca no México reduziram as plantações de trigo para 2024.

As crises alimentares derivam de vários factores, incluindo reduções na produção de alimentos, dificuldades económicas, e outros problemas localizados tais como conflitos. A lista de países que requerem assistência externa pode ser caracterizada em três grupos amplos, mas não mutuamente exclusivos.

1- Reduções excepcionais na produção alimentar e nos abastecimentos devido a factores como desastres naturais, conflitos e problemas na cadeia de abastecimento:

– África: República Centro Africana, Quénia, Somália, Sudão.

   2- Falta generalizada de acesso a limentos devido a conflitos e factores económicos sais como rendimentos baixos e preços elevados dos alimentos:

        – África: Burundi, Chade, República Democrática do Congo, Djibouti, Eritreia, Etiópia, Malawi, Mauritânia, Níger, Sudão do Sul, Zimbabwe.

         – Ásia: República Democrática Popular da Coreia, Líbano, Palestina, Síria, Iémen

         – América Latina e Caraíbas: Haiti, Venezuela.

         – Europa: Ucrânia

     3- Insegurança alimentar aguda em algumas áreas devido a factores como o influxo de refugiados e quebras de colheitas combinadas com pobreza extrema:

         – África: Burkina Faso, Camarões, Congo, Essuatíni, Guiné, Lesotho, Libéria, Líbia, Madagáscar, Mali, Moçambique, Namíbia, Senegal, Serra leoa, Uganda, Tanzânia, Zâmbia

         – Ásia: Afeganistão, Bangladesh, Myanmar, Paquistão.

Os preços dos alimentos da cesta básica permanecem elevados

O último relatório mensal da FAO sobre a tendência dos preços revela uma baixa global de preços dos cereais mais importantes durante o mês de Fevereiro de 2024, em primeiro lugar devido à abundância de abastecimentos e uma feroz competição entre os exportadores resultante das diminuições internacionais dos preços do trigo, milho e arroz.

Apesar destas reduções, os preços dos produtos da cesta básica continuaram elevados em muitos países primeiramente devido a factores como eventos climáticos extremos, conflitos, insegurança e desvalorização monetária. As interrupções das vias marítimas, tais como o Canal do Panamá e o Mar Vermelho, colocaram mais desafios por aumentarem os custos das importações alimentares.

Os preços internacionais do milho caíram significativamente, com os declínios mais pronunciados em cotações da Argentina e Brasil. Expectativas de maiores colheitas produziram estas reduções, com as cotações do milho do Brasil (Paranaguá) caindo 13,8 por cento em termos mensais e da Argentina 8,7 por cento. Os preços do milho ucraniano caíram 4,9 por cento, permitindo à Ucrânia manter uma margem competitiva com outros países. O preço de referência do milho nos Estados Unidos também caiu 4,9 por cento, no meio de uma desaceleração global.

Os preços internacionais do trigo também declinaram, primeira influenciados por uma queda de 6,7 por cento nas cotações da Rússia. Esta diminuição é atribuída a uma colheita robusta em 2023 e reservas de passagem significativas. Os preços competitivos da Rússia exerceram pressão descendente sobre outros exportadores, nomeadamente a União Europeia, onde os preços caíram 6,2 por cento. As cotações de referência do trigo nos Estados Unidos também reduziram 2,1 por cento em Fevereiro.

A FAO sublinhou a necessidade urgente de medidas de transformação dos sistemas agroalimentares, para combater aa escalada do impacto da crise climática na segurança alimentar e agricultura. Este apelo à acção surge em resposta a conclusões alarmantes no último relatório da ONU sobre oi estado Global do Clima, liderado pela Organização Meteorológica Mundial, que sublinha a contínua rutura dos regimes indicadores das mudanças climáticas, tais como as temperaturas de superfície e os níveis de gases de estufa, em 2023. O relatório também destaca como os eventos climáticos extremos, incluindo ondas de calor, inundações, secas, incêndios florestais e a intensificação de ciclones tropicais, estão a perturbar cada vez mais a segurança alimentar e a agricultura, com repercussões socioeconómicas significativas.

Tags: ÁfricaEconomiaEdições EspeciaisEspecialSegurança Alimentar

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