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“Angola tem um grande potencial para se tornar um hub tecnológico regional”

Por Andre Mussamo
12 de Junho, 2025
em Economia, Negócios

As novas tecnologias estão a revolucionar o mundo do empreendedorismo, criando novas oportunidades, aumentando a eficiência e transformando a forma como elas operam. O empreendedorismo tecnológico, que se concentra na criação de soluções inovadoras baseadas em tecnologia, é o foco principal da conversa que se segue com Wiiliam Oliveira (WO)  CEO da TIS, uma empresa de consultoria tecnológica, nascida em 2013 em Angola, com sede em Luanda

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Entrevista de André Mussamo

O que é a TIS? 

Wiiliam Oliveira (WO) – Somos uma consultora tecnológica e de negócios, líder em transformação digital e inovação. O nosso foco está no desenvolvimento de soluções especializadas para todo o mercado e para os diferentes sectores da economia, desde a saúde, banca, seguros, indústria, passando pelo sector público ou Oil & Gás. Por exemplo, nesta última temos um projecto de IA (inteligência Artificial) para identificar cansaço e falta de concentração de pessoas para evitar acidentes. Destacamo-nos pela capacidade de integrar tecnologias emergentes como IoT, automação e inteligência artificial, na modernização das empresas e na consultoria que podemos dar aos diferentes players do mercado. Além de Luanda, estamos a expandir operações para outras províncias e temos vindo a traçar uma estratégia de expansão regional, posicionando-nos como um player competitivo em África. Os nossos produtos e serviços de uma forma genérica: Consultoria em gestão empresarial, com serviços especializados para melhorar processos organizacionais, como gestão de processos de negócio (BPM), planeamento de recursos empresariais (ERP) e gestão documental, para a eficiência operacional e conformidade regulatória. Cibersegurança: para proteger activos críticos de informação, como proteção de endpoint, segurança de equipas remotas (WAF), gestão de identidades e acessos (IAM e PAM), protecção de nuvem conforme a ISO 27001 e segurança de aplicações, assegurando a continuidade dos negócios mesmo em situações críticas. Ciência de dados: serviços de business intelligence, gestão de bancos de dados, integração, monitorização e suporte de aplicações, além de APIs e automação de recursos, facilitando a comunicação entre sistemas distintos e melhorando o desempenho das bases de dados. Desenvolvimento de software: Criação de soluções de software sob medida, incluindo auditoria e avaliação de software, integração com softwares open source, formação e assistência técnica pós-implementação, garantindo que as soluções respondem às necessidades específicas de cada cliente. Formação de talentos: Temos também um grande foco na formação do nosso capital humano e criámos inclusive uma academia que forma profissionais na área para todo o mercado.Destacamo-nos por aliar consultoria especializada a uma profunda experiência tecnológica, transformando processos complexos em operações simplificadas e sustentáveis, com uma abordagem centrada no cliente e na inovação contínua. 

Que projectos têm estado ou estão a ser implementados, nomeadamente, parcerias e colaborações, volume de negócios, etc.)?

WO – Nos últimos anos, a TIS implementou projectos estruturantes em áreas críticas, como por exemplo, automação industrial, com foco na optimização de processos produtivos; modernização do sector da saúde, através de soluções digitais de gestão hospitalar; na área da educação, com plataformas tecnológicas para ensino remoto; o projecto de modernização fiscal da AGT ou o projecto PDAC (projecto de desenvolvimento da agricultura comercial), responsável por apresentar os indicadores do sector e financiado pelo Banco Mundial, são alguns casos de estudo que mostram como podemos utilizar a tecnologia para aumentar a transparência e a eficiência. As parcerias estratégicas com entidades públicas e privadas permitiram o desenvolvimento de iniciativas como o Sistema de Inteligência Tributária (SIT). O volume de negócios da empresa registou um crescimento sólido em 2024, sustentado pela diversificação de serviços e adopção tecnológica no país.

Como foi o ano de 2024? 

WO – Em 2024 consolidámos a nossa presença no mercado, com uma contribuição cada vez mais forte para a modernização da economia e para a transformação tecnológica das empresas em sectores essenciais como a saúde, as finanças, a banca, os seguros, a indústria ou o sector público. Também continuamos a aposta em formação contínua para elevar o nível técnico das equipas e dotar o mercado de técnicos especializados. Destacam-se ainda colaborações internacionais que facilitaram o acesso a novas tecnologias e práticas globais.

Planos para o ano de 2025? 

WO – Para 2025, a TIS tem três grandes objectivos principais: a expansão geográfica, quer a nível nacional, quer a nível internacional, iniciada antes da pandemia e que agora pretendemos reiniciar a todo o vapor, com a implementação de soluções tecnológicas diferenciadas e adequadas a outras realidades regionais e internacionais; capacitação e formação cada vez mais adequada às diferentes realidades do nosso mercado, com a criação de programas dedicados à qualificação de talento local; consolidação da diversificação do nosso portfólio de soluções, para conseguir responder às necessidades do mercado e dos diferentes sectores, com reforço de produtos e serviços críticos. Temos também presente a aposta em parcerias internacionais para promover transferência de tecnologia e inovação no mercado angolano. A título de exemplo, antes da pandemia tivemos dois projectos internacionais (um no Brasil, financiado pelo Banco Mundial, e outro na Argentina) que pretendemos replicar.

Como anda o mercado em Angola e no mundo? 

WO – Em Angola, o mercado mostra sinais de crescimento, impulsionado por políticas de incentivo à digitalização e decorrente da necessidade de modernização da economia, para torná-la robusta e competitiva internacionalmente. Globalmente, a revolução da AI, automação e big data está a remodelar o cenário empresarial, exigindo respostas rápidas e estratégicas para garantir competitividade, o que afecta também o mercado nacional e a importância de investimento nesta tecnologia.

Recursos humanos para atender à necessidade da empresa e do mercado em si? 

WO – Temos uma forte aposta no desenvolvimento de talento local para responder às exigências do mercado, quer ao nível de parcerias com instituições de ensino de referência, quer em investimento interno. Criamos uma academia, que serve não só à TIS, mas também às outras empresas do mercado. Temos também programas internos de formação e actualização técnica, que preparam engenheiros, programadores e especialistas em dados para atender aos desafios da transformação digital. Isto, aliado a um processo de recrutamento activo focado em perfis de alta qualificação, garante que temos os melhores técnicos do mercado, ao mesmo tempo que ajudamos outras empresas a contratar força de trabalho técnica especializada.

Qualificação necessária? 

WO – A qualificação técnica é a espinha dorsal das operações da TIS. As funções mais procuradas exigem formação em áreas como engenharia de software, automação industrial, cibersegurança, telecomunicações e ciência de dados. Por isso, apostamos em formação contínua e certificações internacionais, essenciais para garantir profissionais alinhados com as necessidades do mercado tecnológico.

Ambiente real para este tipo de negócio e demanda do país? 

WO – O ambiente apresenta oportunidades significativas para a transformação digital, impulsionadas pela necessidade de modernização nos sectores público e privado. A procura de soluções tecnológicas cresce de forma consistente, sinalizando um mercado em evolução e uma vontade clara de todos os players em crescer, ser competitivo e ter uma presença global competente e consistente.

Infraestrutura de apoio e suporte às tecnologias? 

WO – Apesar dos avanços, a continuidade de investimentos em infra-estrutura deverá ser a base para o desenvolvimento do sector, bem como a maior oferta de mão de obra qualificada nas diversas áreas da tecnologia. Luanda lidera em termos de conectividade e investimento, mas outras regiões enfrentam desafios logísticos e técnicos. Temos colmatado essas necessidades com soluções adaptadas às realidades locais, priorizando inovação acessível e escalável, mas temos a consciência de que este investimento é necessário e vital para um crescimento sustentado.

Qual é a realidade do país e não apenas de Luanda? 

WO – Fora de Luanda, a realidade é diferente e tem maiores desafios, que estão a ser endereçados. Ainda assim, há um potencial enorme em áreas como agricultura, indústria, energia e saúde, onde a aplicação de soluções tecnológicas pode gerar um impacto económico significativo. Temos explorado oportunidades nestas regiões, impulsionando a digitalização como ferramenta de desenvolvimento regional.

Que perspectivas de futuro se abrem para vocês neste dinâmico mercado? 

WO – O futuro da TIS está alinhado com a transformação tecnológica do país. Queremos liderar a modernização de sectores estratégicos, promovendo inovação com soluções sustentáveis e inclusivas. Angola tem um grande potencial para se tornar um hub tecnológico regional, e queremos desempenhar um papel central neste desenvolvimento, consolidando a nossa posição como parceiro estratégico na digitalização do país e sendo um modelo de internacionalização, exportando tecnologia para o continente.

Tags: Edições EspeciaisNovas tecnologiasWiiliam Oliveira

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